Curiosidades
Museu do Amanhã marca 10 anos de fundação com seminário para discutir futuro além da 'urgência do agora'
Evento conta com diretor do Science Museum, Ian Blatchford, a diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), Juliana Tupinambá, e Silvia Singer, diretora do Museu Interativo de Economia (Mide), entre outros
Dentro das comemorações pelos seus dez anos, o Museu do Amanhã promoveu, na manhã desta quarta- feira, um seminário internacional para discutir o trabalho realizado pela instituição voltada para o saber científico e construir novos projetos para os próximos anos. A primeira mesa, de tema “Cultura e clima”, contou com a participação do diretor do Science Museum, Ian Blatchford, da diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), Juliana Tupinambá, e Silvia Singer, diretora do Museu Interativo de Economia (Mide). Em sua fala, Ian Blatchford destacou a importância dos acervos e dos museus científicos, como o Museu do Amanhã, nos momentos de crises sociais.
— Cada crise é apresentada como se fosse a primeira vez que a humanidade enfrenta um problema. Eu chamo isso de “a urgência do agora”. Sempre parece que há uma grande crise e que não sabemos o que fazer. A vantagem da nossa coleção é que podemos falar sobre estes desafios, especialmente sobre o clima, mas dando-lhes contexto histórico — destacou.
Já a diretora do MNPI destacou a importância dos povos originários dentro do cenário cultural e de conservação ambiental.
— Para nós, enquanto povos indígenas, clima e cultura não são dissociáveis. Vem da nossa construção e relação ao ver o mundo. É importante levar a reflexão de que nós, enquanto povos indígenas no Brasil, somos os grandes guardiões da floresta. Se hoje elas estão em pé, é por conta do nosso modo de pensar, agir, de viver. Por isso, lutar com a gente pela demarcação dos territórios, é lutar para adiar o fim do mundo. É lutar para que a gente ainda tenha o respirar, ainda tenha vida nesse planeta — pontuou ela, aproveitando para por luz nas discussões que acontecem essa semana no Congresso e no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o marco temporal de demarcação de terras indígenas.
A importância dos museus como espaço para discussões sociais e reflexões sobre o comportamento humano foi levantada por Silvia Singer, diretora do Museu Interativo de Economia, localizado no México.
— O museu é um lugar maravilhoso para questionar a forma como vivemos. Eu gosto quando as pessoas dizem que precisamos cuidar do planeta, porque ele estará aqui com ou sem a gente. O que realmente precisamos é cuidar de nós mesmos, das sociedades, dos grupos de pessoas, e viver de forma harmoniosa e positiva. E a única maneira de fazer isso é tomando melhores decisões a cada momento de nossas vidas diárias. O Museu do Amanhã, o Mide e muitos outros, são museus sem coleções, que não estão concentrados no passado. Nós nos preocupamos com o presente e com o futuro. E tomar decisões é algo que nos coloca imediatamente em uma situação de pensar sobre o futuro — garante.
Moderador da mesa, Ricardo Piquet, diretor-Presidente do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG), à frente do Museu do Amanhã, comentou os desafios dos museus voltados para a ciência de contribuírem para a formação do pensamento de seus visitantes. Segundo ele, criar experiências que atraiam principalmente os jovens é um dos maiores objetivos do espaço.
— O museu foi pensando como um espaço para se pensar o futuro. É um desafio enorme, principalmente no mundo hoje, onde a juventude não tem tempo e se comunica por poucos caracteres, conquistá-los. Pensamos sempre como provocá-los para serem agentes de mudança quando saírem da experiência. Esse talvez seja uma das mais desafiadoras tarefas de um museu contemporâneo de ciência— prevê.
O Museu do Amanhã, neste ano de 2025, foi palco do Earthshot Prize, considerado o "Oscar da sustentabilidade", premiação ambiental fundada pelo príncipe William. David Fein, vice-presidente do Earthshot Prize, também presente no seminário, ressaltou a parceria com a instituição.
— Olhamos para o futuro com vocês, enquanto celebramos o 10º aniversário, seu pensamento visionário, sua liderança em sustentabilidade. E nossa parceria com o museu é um exemplo perfeito do que pode ser alcançado quando diferentes instituições, com um grande propósito em comum, se reúnem e se alinham. Esta é uma parceria que começou para o Earthshot em novembro e que continuará— garantiu.
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