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Sally Rooney pode ser impedida de publicar livros no Reino Unido por apoiar grupo pró-Palestina

Considerado terrorista pelo governo britânico, Palestine Action é acusado de Israel de genocídio em Gaza

Agência O Globo - 27/11/2025
Sally Rooney pode ser impedida de publicar livros no Reino Unido por apoiar grupo pró-Palestina
Sally Rooney pode ser impedida de publicar livros no Reino Unido por apoiar grupo pró-Palestina - Foto: Reprodução / Instagram

A escritora irlandesa Sally Rooney, autora de “Pessoas normais” e um dos nomes mais consagrados da ficção contemporânea em língua inglesa, afirmou a um tribunal londrino que pode ser impedida de publicar seus livros no Reino Unido devido ao apoio ao grupo Palestine Action, segundo informou o jornal britânico The Guardian. Rooney já declarou publicamente a intenção de destinar parte dos rendimentos de suas obras à rede pró-Palestina, que acusa Israel de manter um regime de apartheid e de cometer genocídio na Faixa de Gaza.

Em julho, o Palestine Action foi classificado como grupo terrorista pelo governo britânico, o que pode acarretar consequências judiciais para seus apoiadores. Rooney integra uma ação judicial que busca reverter a inclusão do Palestine Action na lista de organizações proibidas do Reino Unido. Em declaração escrita, a autora afirmou ser "altamente provável" que, enquanto o grupo permanecer banido, ela não consiga lançar novos livros no país.

“Se o Palestine Action ainda estiver proibido quando meu próximo livro for publicado, ele estará disponível em dezenas de países, exceto no Reino Unido, porque ninguém poderá publicá-lo. A menos, é claro, que eu concorde em disponibilizá-lo gratuitamente”, afirmou Rooney.

A decisão de doar parte dos lucros ao Palestine Action já levou a autora a cancelar uma viagem ao Reino Unido para receber um prêmio literário. Rooney destacou ainda que a incerteza jurídica dificulta prever as consequências para seus livros já publicados. Segundo ela, é possível que a editora Faber & Faber fique impedida de pagar seus direitos autorais, o que pode resultar na retirada de suas obras das livrarias britânicas.

“Meus romances foram populares e influentes na Grã-Bretanha. O desaparecimento deles das livrarias seria uma intervenção extrema do Estado na expressão artística”, declarou a escritora, que definiu o Palestine Action como um movimento “corajoso e admirável”, dedicado a impedir crimes contra a humanidade cometidos por Israel. Acrescentou que não vê motivo para deixar de apoiá-los, salvo por “conveniência pessoal e profissional”.

O tribunal também ouviu o advogado Adam Straw, representante de Ben Saul, relator especial da ONU para a proteção dos direitos humanos no combate ao terrorismo. Straw afirmou haver um “consenso emergente” de que a proibição do Palestine Action constitui interferência ilegal segundo o direito internacional, e que a definição de terrorismo não deveria incluir danos graves à propriedade.

Já o advogado James Eadie, representante do governo britânico, sustentou que o Parlamento tem o direito de definir terrorismo conforme entender. “O Parlamento decidiu que terrorismo inclui danos significativos à propriedade, com ou sem violência contra pessoas”, declarou.

A Polícia Metropolitana de Londres informou que 143 pessoas foram presas na última quarta-feira (26), do lado de fora do tribunal, por suposto apoio ao Palestine Action. O julgamento deve ser concluído na próxima terça-feira (2).