Cultura Pop
Elisa Lucinda sobe ao palco junto do namorado, que ela reencontrou 40 anos depois: 'O amor nos reconectou'
Zuzu de 'Coração acelerado', atriz experimenta a paixão na maturidade tanto na ficção, com o fazendeiro Alaor (Marcos Caruso), quanto na vida real, com o músico Glaucus Linx
Verão de 1987. Recém-chegada ao Rio de Janeiro, a capixaba Elisa Lucinda, então aos 28 anos, chama atenção dos banhistas da Praia de Ipanema ao declamar seus poemas de cor, ao megafone.
'Coração acelerada':
Público:
— Eu recitava os versos, e as pessoas iam saindo do mar e se aglomerando à minha volta: “Como você aprendeu a falar poesia sem ler?”. Eu faço assim desde os meus 11 anos. Pra mim, era algo genuíno — relembrar a atriz, cantora e escritora, também formada em Jornalismo: — Deixei de ser jornalista em Vitória (ES) porque descobri que eu não queria noticiar, e sim ser notícia. Aí, vim para o Rio.
Quatro décadas depois, 24 livros publicados, 27 trabalhos no teatro, 26 na TV, 27 no cinema, 5 prêmios no currículo e “aproximadamente mil poemas decorados”, a “capixoca” (meio capixaba, meio carioca) sobe ao palco do Manouche, casa artística de clima intimista no Jardim Botânico, na Zona Sul, “de volta ao início”. Em “Ensaio para uma ideia, o improviso da griô”, às 18h deste domingo, ela relembra seus primeiros anos nesta cidade, quando mostrava pelos bares cariocas seus espetáculos poético-musicais.
— Eu me apresentei à meia-noite, horário em que os artistas chegavam para o jantar depois de seus shows e suas peças. Assim eu conheci e me tornei amiga de Beth Carvalho, Martinho da Vila, Paulo José, Tizuka Yamazaki, Manoel Carlos... — enumera a artista, que acabou convidada pela diretora e pelo autor para integrar os elencos de suas novelas, “Kananga do Japão” (1989) e “Mulheres apaixonadas” (2003), respectivamente: — A poesia foi meu pistolão, me levou para a TV.
Atualmente não estão em “Coração acelerada” como Zuleica Trindade, melhor amiga e sócia de Janete (Leticia Spiller) no bar Zuzanete, e madrinha de Agrado (Isadora Cruz), a atriz experimenta o amor maduro na ficção e na vida real. Enquanto Zuzu engrenou um relacionamento com o fazendeiro Alaor (Marcos Caruso) na trama das sete, Elisa resgatou o namoro com o músico Glaucus Linx, que a acompanha em “Ensaio para uma ideia” ao saxofone.
— Nós tivemos um relacionamento curto, mas muito marcante, nessa época em que chegamos ao Rio. Ele foi embora para a França, opcionalmente em turnê e voltou casado ao Brasil. Eu também já estava comprometido. Mas, no ano passado, o amor nos reconectou. Brinquei com ele: “Não saio com novinhos!”, porque Glaucus é dois anos mais jovem do que eu — relata Elisa, de 68, que antes dele se relacionou com o fotógrafo Jonathan Estrella, 31 anos a menos: — Nesse casamento anterior, eu me senti até em vantagem, pela experiência de vida. Havia uma autonomia emocional, nada de ciúme. Etarismo é balela! Velho ou novo, quem é que não gosta de um chamego? Tesão tem a ver com estar disposto e atento ao fogo da vida!
Dignidade e gingado
"Eu, mulher preta, com bundão e olhos verdes, quase um clichê sexualizado, cheguei ao Rio querendo ser atriz e poeta. Foram muitas as dificuldades, muitos os assédios sofridos. Eles me questionaram: 'O Brasil não lê! Como você quer ser reconhecido com poesia?'. Eu respondia: 'Eu leio para o Brasil!'. Tenho a vitória de não dever nada a ninguém. Consegui tudo por caminhos muito dignos, sou Independente Futebol Clube", afirma, orgulhosa.
Fofoca boa
A amizade entre Elisa Lucinda e Letícia Spiller em “Coração acelerada” furou a bolha da ficção: "Somos muito irmãs, confiantes. Conversamos o tempo todo sobre amor e sexo nos bastidores. Aí o diretor grita 'Ação!', a gente dá o texto de Zuzu e Janete e volta pra fofocar", entrega a atriz, que criou com Letícia e Isadora Cruz um grupo de WhatsApp chamado As Bruxas de Goiás: "Depois a Cleo quis entrar também".
Autoestima nas alturas
Na novela, Elisa usa perucas para interpretar Zuzu. "Eu queria ficar livre para ter o meu próprio visual fora de cena. Estou gostando tanto do meu cabelo curtinho assim", conta a atriz, de bem com o espelho rumo aos 70 anos: "Estou com um pouquinho de barriga, mas não me incomoda. Eu me preocupo mais com a minha mobilidade, abaixar e subir escadas com facilidade. Subo os dez andares de onde moro de dois em dois degraus. Por conseguinte, a bunda fica mais dura. Continuo usando o meu fio-dental, sendo atraente para quem me ama e para mim. Sou modelo original de fábrica, sem procedimentos estéticos".
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