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Enem: 'Sempre li todo tipo de livro', diz aluna que tirou 1000 na redação ao abordar etarismo feminino

Manoela Paiva Flores, de 17 anos, pretende cursar Direito na UFRJ; jovem já havia participado do exame duas vezes como ‘treineira’

Agência O Globo - 24/01/2026
Enem: 'Sempre li todo tipo de livro', diz aluna que tirou 1000 na redação ao abordar etarismo feminino
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O hábito constante da leitura, aliado ao desenvolvimento do senso crítico durante a vida escolar, foi determinante para que a estudante Manoela Paiva Flores, de 17 anos, conquistasse a nota máxima na redação do Enem 2025. Aluna do terceiro ano do Ensino Médio da Escola Parque, na Gávea, Zona Sul do Rio, Manoela construiu seu texto a partir do tema proposto, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, abordando o impacto do etarismo sobre as mulheres e contrapondo essa realidade à valorização dos idosos em culturas indígenas.

Na redação que alcançou mil pontos, Manoela analisou como o envelhecimento tende a ser mais hostil para mulheres em uma sociedade que associa valor social à juventude e a padrões estéticos femininos. Em outro eixo argumentativo, destacou que, em muitas comunidades indígenas, os mais velhos são reconhecidos como detentores de saberes e experiências, desempenhando papel central na transmissão de conhecimento — um contraste com a lógica predominante na sociedade contemporânea.

De acordo com Manoela, não existe segredo ou fórmula pronta para se preparar para a prova. Ela ressalta, porém, a importância do aperfeiçoamento contínuo construído ao longo da trajetória escolar.

— O hábito da leitura foi essencial para minha preparação. Isso contribuiu para que eu pudesse adquirir um vocabulário mais abrangente. Eu sempre li todo tipo de livro, seja de ficção ou de qualquer outro gênero, além de assistir a muitos filmes e séries. Isso ajuda a construir repertório. Na minha redação eu citei, por exemplo, desde um conceito da escritora francesa Simone de Beauvoir até uma música da cantora Melanie Martinez — explica.

Além da leitura, Manoela aponta a participação em debates e discussões como parte fundamental da preparação. Segundo ela, o exercício constante da argumentação ajudou a lidar com o tema da prova sem recorrer a modelos prontos.

— Isso contribuiu para que eu estivesse preparada para dissertar sobre qualquer tema. No momento da redação do Enem, por exemplo, não me prendi a argumentações prontas, busquei uma abordagem diferente — conta.

A estudante pretende cursar Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e já havia feito o Enem em duas edições anteriores, em 2023 e 2024, como “treineira”. A experiência prévia, segundo ela, ajudou a reduzir a ansiedade e aumentar a confiança no dia da prova.

— Essas experiências nos outros anos ajudaram muito para que eu me sentisse mais preparada para fazer a prova e a redação. Além disso, usei outras técnicas que contribuíram para eu me concentrar e me sentir tranquila, como a prática de ioga e de exercícios de respiração — relata.

Para Daniel Bahiense, coordenador pedagógico do Ensino Médio da Escola Parque, o desempenho de Manoela reflete uma preparação que vai além do treinamento específico para o exame. Segundo ele, o resultado é consequência de um trabalho contínuo, desenvolvido ao longo dos anos, e que respeita as características individuais de cada aluno.

— Essa preparação, tanto para as redações quanto para as provas, é contínua. Por isso, é importante ter um repertório pedagógico amplo e manter um diálogo aberto com o aluno para que ele tenha seu protagonismo e, ao mesmo tempo, a possibilidade de trazer suas dúvidas e sugestões sempre que necessário. Acreditamos que somente assim podemos realmente ajudar nossos alunos para esse momento tão desafiador que é a preparação para o ENEM e para os vestibulares — explica.