Cidades
Nova estação sismológica detecta três tremores no Agreste em menos de 15 dias
Equipamento instalado em parceria entre UFRN e Uneal identifica abalos em Arapiraca e Craíbas; suspeita recai sobre atividades de mineração
Pouco tempo após entrar em operação, a recém-instalada Estação Sismológica de Arapiraca já demonstra sua eficiência técnica. Em menos de duas semanas de funcionamento, o equipamento — fruto de uma cooperação entre o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN) e a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) — registrou três eventos sísmicos na região, sendo um no próprio município e dois na vizinha Craíbas.
A estrutura amplia drasticamente a precisão científica no estado. Agora, dados fundamentais como a profundidade dos abalos, a localização exata do epicentro e a magnitude real podem ser aferidos com rapidez, fortalecendo o banco de dados sobre a geologia do Agreste alagoano.
Cronologia dos abalos
O primeiro registro ocorreu em 3 de março, apenas 48 horas após a ativação da estação, com um tremor de magnitude 1.8 na Escala Richter em Arapiraca. A sequência continuou no dia 6 de março, em Craíbas, com intensidade de 1.6. O evento mais recente foi detectado na última quarta-feira (11), novamente em Craíbas, repetindo a magnitude de 1.8.
Embora considerados de baixa intensidade, tremores nessa faixa podem ser sentidos por moradores que estejam muito próximos ao ponto de origem, ainda que passem despercebidos pela maior parte da população urbana.
A hipótese das detonações
Um detalhe técnico chamou a atenção dos pesquisadores: todos os eventos foram registrados por volta do meio-dia. O horário coincide com o período em que são realizadas "detonações controladas" para o desmonte de rochas em atividades de mineração.
Essa coincidência levanta a possibilidade de que os tremores não sejam fenômenos naturais, mas sim vibrações induzidas por atividade humana (antrópica). O monitoramento constante permitirá diferenciar, de forma definitiva, os movimentos das falhas geológicas dos impactos causados pelas operações da Mineração Vale Verde (MVV).
"A parceria com a Uneal fortalece o monitoramento regional e possibilita análises mais detalhadas que vêm sendo desenvolvidas desde 2023", afirmam técnicos do LabSis/UFRN, referência nacional no setor.
Os estudos agora seguem concentrados na análise da distribuição espacial desses abalos e na relação direta com as estruturas geológicas locais, buscando trazer mais segurança e informação para a sociedade alagoana.
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