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Júlio Cezar enfrenta isolamento político em Palmeira dos Índios na disputa pela Câmara Federal; 11 de 15 vereadores já declararam apoio a outros candidatos e nem a vice-prefeita da tia dele o apoia

Ex-prefeito e atual secretário de Relações Federativas do governo de Alagoas tem apenas dois vereadores de seu reduto declaradamente ao seu lado; maioria da Câmara apoia outros candidatos à Câmara dos Deputado

Redação 04/03/2026
Júlio Cezar enfrenta isolamento político em Palmeira dos Índios na disputa pela Câmara Federal; 11 de 15 vereadores já declararam apoio a outros candidatos e nem a vice-prefeita da tia dele o apoia

A corrida eleitoral para a Câmara Federal nas eleições de outubro já começa a revelar os primeiros movimentos políticos em Palmeira dos Índios, e o cenário local expõe um desafio significativo para o ex-prefeito do município, Júlio Cezar, que pretende disputar uma vaga de deputado federal.

Atual secretário de Relações Federativas do Governo de Alagoas, Júlio Cezar deverá deixar o cargo dentro de aproximadamente 30 dias para se dedicar integralmente à campanha. No entanto, apesar da projeção política que conquistou após dois mandatos consecutivos como prefeito e da posição estratégica que ocupa no governo estadual, o ex-gestor encontra dificuldades dentro de seu próprio reduto eleitoral.

Até o momento, apenas dois dos 15 vereadores da Câmara Municipal declararam apoio público à sua candidatura: Fábio Targino e Kal Mello. Os demais parlamentares já demonstram preferência por outros nomes que disputarão a Câmara Federal ou ainda avaliam alianças políticas.


Câmara dividida entre outros candidatos


Entre os vereadores que já sinalizaram apoio a outros projetos políticos estão:

• Sidny Targino, que apoia Renato Filho;
• Salomão Torres, alinhado ao deputado federal Marx Beltrão;
• Pedrinho Gaia, Janio Marques e Maxuel Feitosa, que apoiam Daniel Barbosa;
• Gileninho Sampaio e Ronaldo Raimundo, ligados ao deputado Luciano Amaral;
• Lúcio Medeiros, que deve caminhar com Isnaldinho Bulhões;
• Helenildo Neto, que apoia Nivaldo Albuquerque;
• Toninho Garrote, aliado de Álvaro Lira;.

Outros parlamentares ainda avaliam posicionamento político, mas já foram procurados por Júlio Cezar. É o caso de Geraldinho Ribeiro e Fabiano Gomes, que, segundo interlocutores, mantêm a porta aberta, mas esperam outras parcerias.

Outro movimento relevante no cenário político local envolve Madson Luciano Monteiro, que pode se alinhar ao deputado Davi Maia, após a decisão de Alfredo Gaspar de deixar a disputa pela Câmara Federal para disputar o Senado.


Nem a vice-prefeita vota em Júlio


Outro fator que chama atenção nos bastidores da política palmeirense é o posicionamento da vice-prefeita Sheila Duarte, que também não apoiará o ex-imperador Júlio Cezar na disputa federal.

Sheila, vice da tia de Julio Cezar, declarou apoio ao deputado federal Paulão (PT), que buscará a reeleição. O gesto político ocorre mesmo após ela ter deixado o PT há cerca de seis meses, quando o deputado estadual Ronaldo Medeiros assumiu a presidência do partido em Alagoas.

Nos bastidores, comenta-se que a saída da vice-prefeita também foi influenciada por divergências em torno da questão indígena, especialmente no debate sobre a demarcação de terras em Palmeira dos Índios — pauta defendida pelo partido e por Paulão.


Disputa promete ser acirrada


Mesmo diante desse cenário, Júlio Cezar mantém o projeto de chegar à Câmara Federal e aposta na projeção política conquistada nos últimos anos, além da visibilidade obtida à frente da Secretaria de Relações Federativas.

A disputa, no entanto, promete ser competitiva. Entre os nomes que também buscam vaga na Câmara estão Rui Palmeira, Rutinazinho, Marcos Madeira — ex-prefeito de Maragogi — e Thaís Canuto, ex-vereadora e ex-candidata a prefeita de Pilar.

Outro adversário de peso é o atual deputado federal Luciano Amaral, considerado hoje a principal liderança do PSD em Alagoas, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab.

Com a campanha ainda em fase inicial e alianças em constante movimento, o cenário em Palmeira dos Índios revela uma disputa que deverá ser marcada por rearranjos políticos, disputas de liderança e estratégias eleitorais dentro do próprio grupo governista local.