Cidades

Água, água, água: moradores fecham rodovia em Igaci após mais de 90 dias sem abastecimento

Comunidades de Barro Preto e Lagoa Grande interditam a AL-115 com pneus e fogo; trânsito entre Palmeira dos Índios e Arapiraca fica totalmente paralisado

Redação com reportagem de Zé Oliveira 06/02/2026
Água, água, água: moradores fecham rodovia em Igaci após mais de 90 dias sem abastecimento

Um cenário de revolta e desespero tomou conta da AL-115, no trecho que liga Palmeira dos Índios a Arapiraca, na tarde desta quinta-feira. Moradores dos sítios Barro Preto e Lagoa Grande, no município de Igaci, interditaram completamente a rodovia estadual, colocando pneus na pista e ateando fogo, impedindo a passagem de veículos nos dois sentidos.


Neste momento, o trânsito está totalmente parado. Motoristas que seguem de Palmeira dos Índios para Arapiraca e no sentido contrário encontram a via bloqueada, sem previsão de liberação.


O motivo do protesto é a falta de abastecimento de água nas duas comunidades. Segundo os moradores, há mais de 90 dias a água não chega às torneiras das residências.


“É questão de água. A gente está com mais ou menos uns quatro meses sem água. Só está chegando o talão”, relatou Elias, morador do sítio Barro Preto, durante entrevista concedida à reportagem.


Ele afirma que a situação se tornou insustentável. De acordo com os moradores, a única alternativa tem sido a compra de caminhões-pipa, cujo custo gira em torno de R$ 400,00 por carga — valor considerado inviável para a maioria das famílias da região.


“A gente não tem condições de pagar R$ 400,00 em um caminhão d’água. Todo mundo aqui tem criança, tem idoso. Não tem como aguentar mais”, disse Elias.


Os manifestantes relatam ainda que já procuraram a Companhia de Água diversas vezes. Segundo eles, a resposta recorrente é de que existe água na rede principal, mas o líquido não estaria sendo liberado para abastecer as residências.


“A gente liga, vai lá, e dizem que vão resolver. Dizem que tem água no cano, mas para nós não está passando. Aqui na rede principal tem água, mas nas nossas casas não chega”, afirmam.


Cansados de esperar por uma solução, os moradores decidiram radicalizar. “Acabou a paciência. Estamos aguentando demais, principalmente por causa das crianças. Precisamos de água. Só queremos que liberem a água para nós”, reforçou o morador.


O protesto é acompanhado com tensão por quem precisa trafegar pela rodovia, uma das principais ligações entre o Agreste e o Médio Sertão alagoano.


Enquanto isso, na pista, o fogo dos pneus simboliza o que os moradores classificam como abandono. Mais do que bloquear a estrada, o ato escancara a cobrança por um direito básico: água nas torneiras.