Cidades
Após 18 anos, comunista volta à Câmara de Maceió: Charles Hebert assume por 120 dias
Com licença de Sílvio Camelo Filho por 120 dias, Hebert assume nesta quarta (4) e encerra um jejum sem o PCdoB no Legislativo da capital; último comunista a ocupar cadeira foi Marcelo Malta de 2005 a 2008
A Câmara Municipal de Maceió volta a ter um representante do PCdoB no plenário após um jejum de quase duas décadas. Nesta quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, quem assume uma cadeira na Casa é Charles Hebert, atual secretário ligado à área do esporte no governo estadual, em uma posse indireta provocada pela licença do vereador Sílvio Camelo Filho, prevista para durar 120 dias.
A última vez que um comunista ocupou mandato eletivo na Câmara da capital foi na legislatura 2005–2008, quando Marcelo Malta exerceu mandato pelo PCdoB — período em que o partido teve presença formal no Legislativo mirim.
Licença, acordo e retorno simbólico
Nos bastidores, a leitura predominante é que a movimentação atende a uma estratégia de visibilidade dentro de arranjos partidários e federativos, com a saída temporária do titular abrindo espaço para o suplente. A informação sobre a posse nesta quarta e o afastamento do vereador foi publicada em cobertura local, que também aponta o componente de “acordo” político para 2026.
Além do peso eleitoral, o gesto tem valor simbólico para o PCdoB: o partido volta a ocupar um espaço institucional que já teve presença marcante em diferentes momentos da história política maceioense.
Memória do PCdoB na capital
O retorno de um comunista à Câmara reacende a lembrança de quadros históricos ligados ao partido em Maceió. Entre nomes lembrados por militantes e pela própria tradição da esquerda local está Eduardo Bonfim, que foi vereador na capital, além de ter trajetória como deputado.
Também são citados, entre referências mais recentes ligadas a esse campo político na cidade, comunistas históricos como o jornalista Ênio Lins, ex-secretário de Comunicação de Alagoas e Edberto Ticianeli, ex-secretário estadual de Cultura, jornalista e historiador.
O que muda na prática
Com a posse, Charles Hebert passa a integrar votações, debates, comissões e a rotina legislativa durante o período de licença do titular. Para o PCdoB, é uma vitrine curta — quatro meses — mas com potencial de gerar capital político e reativar a imagem do partido na capital, especialmente num ano em que alianças e federações tendem a pesar na montagem das chapas.
A retomada dessa cadeira, mesmo temporária, encerra um ciclo: de 2008 para 2026, são 18 anos sem um comunista ocupando formalmente um mandato na Câmara de Maceió — e a volta acontece por um caminho indireto, mas com forte carga simbólica no tabuleiro local.
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