Cidades
Carimbado pelo Banco Master, JHC é apontado como candidato ao governo e aposta na força da capital
Apostando na força das redes sociais — onde domina em Maceió — JHC evita entrevistas ao vivo e tenta transformar engajamento digital em voto; ao esbarrar no interior, porém, descobre que seu Instagram não alcança a mesma capilaridade nem o mesmo peso eleitoral fora da capital
Mesmo sem anúncio público, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), é tratado nos bastidores como candidato ao Governo de Alagoas na próxima disputa estadual. Uma fonte ouvida pela Tribuna do Sertão confirma que o projeto está em andamento, embora o prefeito ainda não tenha feito a declaração formal — e siga mantendo um estilo de comunicação concentrado em redes sociais, com falas gravadas e editadas, evitando entrevistas e ambientes de confronto direto.
A candidatura nasce sob um rótulo que adversários já transformaram em munição eleitoral: o “carimbo Banco Master”. Críticos apontam que a gestão municipal ficou marcada pelo episódio envolvendo aplicações do instituto de previdência do município, o IPREV Maceió, em títulos ligados ao Banco Master — tema que alimenta questionamentos e deve ser explorado com força no palanque. É um assunto que tende a aparecer como “linha de ataque” permanente: responsabilidade, critérios de investimento, fiscalização e eventuais consequências para a previdência municipal.
Orla maquiada, periferias cobrando “gestão de verdade”
No campo administrativo, o prefeito chega ao pré-pleito vendendo uma imagem de vitrine urbana: a orla marítima — principal cartão-postal e ponto turístico — ganhou intervenções e requalificações que seus críticos classificam como “maquiagem”: obra de impacto visual e midiático, mas concentrada onde a cidade já aparece.
Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que, nas periferias, a população cobra uma gestão mais efetiva, com resposta cotidiana em áreas sensíveis: infraestrutura de bairros, mobilidade real, saúde, limpeza urbana, iluminação e segurança comunitária. Para adversários, esse contraste pode virar narrativa eleitoral: “cidade de cartão-postal” versus “cidade real”.
Capital forte, interior como muralha
A estratégia política desenhada para João Henrique Caldas (JHC) aposta na força eleitoral e digital em Maceió, onde ele tem base consolidada e maior presença nas redes. Só que a eleição para governador não se decide apenas com capital e internet.
No interior, o cenário se inverte e complica: o MDB mantém capilaridade, alianças locais e presença histórica, com o senador Renan Calheiros, o ministro Renan Filho e o governador Paulo Dantas formando um bloco com musculatura fora da capital. O peso da máquina política no interior — prefeitos, lideranças regionais e obras — tende a ser decisivo.
Arapiraca tende a permanecer no MDB
Um exemplo de como o interior se organiza aparece em Arapiraca, que poderia ser uma praça estratégica para quebrar a resistência ao nome do prefeito da capital. Mas, hoje, a tendência de bastidor é de permanência no campo do MDB: o prefeito Luciano Barbosa é filiado ao partido e seu filho, Daniel Barbosa, pré-candidato a deputado federal, tem mantido agenda colada ao ministro Renan Filho, explorando entregas e anúncios ligados ao VLT e outras pautas de infraestrutura — inclusive com registros de viagem e fotos recentes no Rio Grande do Sul, em agenda relacionada à fabricação de vagões.
Embate pesado e leve vantagem do interior
O que começa a se desenhar é um confronto clássico: capital versus interior. E, neste momento, o desenho tende a apontar ligeira vantagem para o interior, não apenas pela rede política mais extensa, mas sobretudo pelo contingente eleitoral maior fora da capital, capaz de neutralizar uma eventual vantagem expressiva de Maceió.
Para João Henrique Caldas (JHC), o desafio é duplo: Superar o “carimbo Banco Master” com explicações convincentes e narrativa de responsabilidade e construir presença real no interior, com alianças e entregas que resistam ao peso do MDB e ao bloco liderado por Renan Calheiros, Renan Filho e Paulo Dantas.
Se a candidatura for confirmada, o palanque de 2026 tende a ser duro: de um lado, marketing, redes e capital; do outro, território, prefeitos e interior. E é justamente aí que se decide Alagoas.
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