Cidades
Museu Xucurus tem acervo devolvido à Igreja do Rosário, mas destruído e jogado em depósito
A Semana dos Museus enaltecida pela gestão do prefeito de Palmeira dos Índios Júlio Cezar e celebrada na semana que passou esconde um crime contra o patrimônio cultural do município. O flagrante da Tribuna do Sertão partiu de uma denúncia que foi esmiuçada durante 30 dias.
Até o vereador Geraldo Ribeiro Jr. - o fiscal do povo - gravou um vídeo em suas redes sociais exaltando o novo Museu Xucurus, mas no mínimo foi enganado, porque não viu o que escondia as entranhas do equipamento cultural.
Desde a revitalização em meados de 2022, parte do acervo do Museu Xucurus foi transferida da Igreja do Rosário onde está instalado o equipamento cultural há mais de 50 anos para duas salas da galeria do antigo hotel São Bernardo em Palmeira dos Índios.
Após três meses praticamente amontoado no local, o acervo que estava exposto ao público foi retirado em caminhão fechado pela prefeitura e tomou destino ignorado.
Em 17 de abril a Tribuna do Sertão revelou – também através de denúncia – que parte do acervo da Casa de Graciliano Ramos estava jogada em uma sala fechada e praticamente destruída. O fato se deu após a interminável reforma que foi objeto de ação da defensoria pública em janeiro deste ano, mas que ainda não teve solução.
Com receio de mais denúncias – os gestores da cultura palmeirense – que se preocupam mais em fomentar para os artistas os subsídios da lei Aldir Blanc, calando-os – resolveu devolver em 25 de abril o acervo do Museu Xucurus, que estava escondido em uma sala que fica localizada por trás do palco do Auditório da Casa de Graciliano Ramos.

Novamente em um caminhão fechado o acervo foi devolvido para a sala de trás do Museu Xucurus e boa parte dele também está danificado – como revelam as imagens colhidas pela Tribuna do Sertão.
Um dos exemplos do descaso é a cama de Manezinho – o menor homem do mundo que está quebrada. Outras peças raras e que marcam a história da gente de Palmeira dos índios foram parcialmente destruídas ou totalmente destruídas.
Os autores deste novo e continuado crime (pois assim ocorreu com o acervo da Casa de Graciliano Ramos) são os gestores da cultura do município, que pouco ou nenhum atenção tem ao patrimônio histórico da cidade.
Estão mais interessados – repetimos – na organização de shows musicais que agradam a massa popular, mas a emburrece, porque não promove a cultura em seu âmago.
O prefeito Júlio Cezar fecha os olhos com uma venda gigantesca para os subordinados e passa a mão nas cabeças deles e põe o erro para debaixo do tapete. É o principal responsável.
Um dos mais importantes do interior
O Museu Xucurus, localizado na cidade de Palmeira dos Índios, Alagoas, era um dos mais importantes patrimônios culturais de Alagoas, que contava a história e preservava a memória do povo palmeirense e indígena da região. No entanto, nos últimos anos, essa instituição sofreu com o abandono e a falta de investimento, o que comprometeu sua preservação e acesso ao público. Ano passado o prédio recebeu uma revitalização, incluindo a praça que ficou muito bonita, voltando a sua originalidade.
Há 50 anos contando a história de sua gente seu acervo composto por uma rica coleção organizada pelo escritor Luiz B. Torres, se perdeu no tempo pela negligência e irresponsabilidade daqueles que geriram o município palmeirense ao longo do tempo.
Além disso, o Museu Xucurus também desempenhou um papel fundamental na preservação das tradições e na promoção do diálogo intercultural. Ele foi um espaço de encontro e troca de conhecimentos entre indígenas e não indígenas, confiante para a valorização da diversidade cultural e para o respeito às comunidades tradicionais. Hoje está restrito apenas a um pequeno acervo de artefatos religiosos.
Essa situação causa indignação entre os profissionais da área cultural e a população local, que reconhecem o valor e a importância do Museu Xucurus. Muitos apontam para a necessidade urgente de uma intervenção do Ministério Público e, por conseguinte do judiciário para reverter esse quadro e garantir a preservação desse patrimônio.
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