Brasil
Vice-presidente do TCE/SP alerta: Política não é caminho para enriquecimento e ostentação
Em vídeo nas redes sociais, conselheiro Dimas Ramalho cobra ética, caráter e coerência entre vida pública e privada e provoca reflexão: “Você conhece alguém assim na sua região?”
Um vídeo publicado nas redes sociais pelo vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), conselheiro Dimas Ramalho, reacendeu um debate essencial para a democracia brasileira: a política não pode ser instrumento de enriquecimento pessoal, nem de ostentação financiada pelo dinheiro público.
Com discurso direto e sem rodeios, Dimas Ramalho faz um alerta que ecoa em todo o país — especialmente em municípios do interior, onde a proximidade entre agentes públicos e a população torna mais visíveis as mudanças abruptas de padrão de vida de determinados políticos.
“Na política, ninguém enriquece. Se a pessoa entra na política sem ter nada, e de repente começa a mudar o padrão de vida, comprar bens, ostentar, isso é sinal de alerta. Não pode”, afirma o conselheiro.
Quando a política vira atalho para riqueza
O ponto central da fala é claro: quem entra na vida pública para “fazer a própria vida” está no caminho errado - e cedo ou tarde colherá consequências.
Segundo Dimas, é saudável que o agente público tenha uma profissão anterior, uma trajetória profissional legítima e renda compatível, para que a política não se transforme em instrumento de sobrevivência financeira, muito menos de ascensão patrimonial suspeita.
A crítica é especialmente sensível em um país marcado por recorrentes escândalos de corrupção, superfaturamento, favorecimentos, uso indevido da máquina pública e enriquecimento incompatível com a renda declarada.
No Brasil real, a pergunta provocativa lançada pelo conselheiro ganha força:
Você conhece alguém que entrou na política sem patrimônio e, pouco tempo depois, passou a ostentar carros, imóveis, viagens e padrão de vida incompatíveis com o salário público?
Essa é uma indagação que encontra eco nas conversas de rua, nos bastidores da política local e, muitas vezes, nos próprios relatórios dos órgãos de controle.
Caráter acima de cargo, partido ou ideologia
Outro eixo forte da fala de Dimas Ramalho é a defesa de que boa política não tem idade, cor, raça ou rótulo ideológico — tem caráter, princípios e coerência.
Para ele, não é possível dissociar a conduta privada da atuação pública. Um agente que apresenta comportamento reprovável em casa, que pratica violência, irresponsabilidade ou abuso, não pode se apresentar como exemplo de ética no exercício do cargo.
A integridade, segundo o conselheiro, precisa ser integral e indivisível: quem é correto na vida privada tende a ser correto na gestão pública; quem relativiza valores em casa, tende a relativizá-los também no trato com o dinheiro público.
O papel do controle e da sociedade
A fala do vice-presidente do TCE-SP também reforça a importância dos Tribunais de Contas, do Ministério Público, da imprensa e da própria sociedade como agentes de fiscalização permanente.
Mudanças abruptas de patrimônio, sinais exteriores de riqueza incompatíveis com a renda, uso excessivo de cargos comissionados, contratos suspeitos e concentração de poder econômico-político são indicadores que exigem atenção, auditoria e transparência.
Mais do que punir depois, o desafio é prevenir a captura do Estado por interesses privados, fortalecendo a cultura da integridade e da responsabilidade na gestão pública.
Um recado que vale para todo o Brasil
O vídeo de Dimas Ramalho não é apenas um desabafo institucional. É um chamado à consciência coletiva, especialmente em um país que ainda luta para consolidar uma cultura sólida de ética pública.
A política, quando bem exercida, deve ser instrumento de transformação social, e não de enriquecimento individual. A ostentação injustificada não é sinal de sucesso - é, muitas vezes, sintoma de desvio, abuso ou captura do interesse público.
E a provocação permanece no ar:
Na sua cidade, você conhece alguém que ficou rico depois de assumir cargo público?
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