Brasil
Funcionários da Avibras na Alesp discutem salários atrasados há mais de 30 meses e venda da empresa
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) sediou nesta sexta-feira (29) uma audiência pública para debater a situação da Avibras, que enfrenta meses de salários atrasados e negociações de venda para investidores estrangeiros.
Hélio Augusto de Souza Lima, de 62 anos, trabalha há cerca de 40 anos na Avibras Indústria Aeroespacial, em Jacareí (SP). Há 30 meses, ele está sem receber salário, convênio médico e cesta básica.
A crise financeira da empresa, que já dura mais de dois anos, levou a fábrica a paralisar suas atividades e a entrar em recuperação judicial.
Segundo ele, apesar dos esforços para buscar ajuda, a administração da empresa não vinha sendo eficaz. "Durante o período todo a gente tem buscado bastante a empresa para nos ajudar."
Em março de 2022, a Avibras entrou em recuperação judicial devido a dívidas que ultrapassam R$ 570 milhões. Desde então, a fábrica está parada e os trabalhadores acumulam meses de salários atrasados.
Em meio a esse cenário, a empresa iniciou negociações com investidores estrangeiros para sua venda. A empresa saudita Black Storm Military Industries está entre os principais interessados, com possibilidade de adquirir até 80% da companhia. Além disso, há rumores de que investidores da Austrália também estariam envolvidos nas negociações.
Hélio acredita que a intervenção de autoridades é essencial para resolver a situação. "Nós temos uma, com esse andar hoje, com as pessoas nos ajudando, vai ser bastante importante porque a gente precisa bastante de deputados, do governo estadual, federal, que nos ajude nessa", disse.
Ele reforça que, para que a empresa se recupere e volte a gerar recursos, é necessário que os trabalhadores recebam seus salários em dia.
Processo de recuperação judicial suspenso
A recuperação judicial da Avibras passou por processo que envolveu a suspensão de plano alternativo aprovado pelos credores. O Banco Fibra, que é um deles, contestou o documento, alegando irregularidades processuais.
Em resposta, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) suspendeu liminarmente a homologação do plano.
A venda da Avibras para investidores estrangeiros é vista por muitos como um retrocesso no que diz respeito à soberania nacional. Especialistas apontam que a perda de controle sobre uma empresa estratégica como a Avibras pode comprometer a capacidade de defesa do país e transferir tecnologia sensível para outros países.
O Comando do Exército, no entanto, tem uma visão diferente e vê com bons olhos a venda da empresa para um grupo estrangeiro, conforme publicou a CNN Brasil.
Para Hélio, a prioridade deve ser garantir os direitos dos trabalhadores e a continuidade das operações da Avibras no Brasil. Ele acredita que, com o apoio necessário, a empresa pode se reerguer e voltar a ser uma referência na indústria de defesa. "Eu tenho certeza que ele vai brilhar nessa renovada da Avibras".
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