Brasil
Ex-comandante da Marinha admite reuniões com Bolsonaro, mas nega existência de plano golpista
O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, confirmou no Supremo Tribunal Federal (STF) ter participado de reuniões com Bolsonaro em dezembro de 2022, onde se discutiu a possibilidade de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Ele negou ter visto minuta golpista ou colocado tropas à disposição para ruptura institucional.
O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, prestou depoimento à Primeira Turma do STF nesta terça-feira (10), tornando-se o terceiro dos oito réus do chamado "núcleo crucial" da tentativa de golpe a ser ouvido. Ele confirmou ter participado de reuniões no Palácio da Alvorada em dezembro de 2022, incluindo uma em 7 de dezembro, data em que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Jair Bolsonaro discutiu uma minuta de decreto golpista com militares.
Garnier afirmou que, na reunião de 7 de dezembro, foram discutidas medidas de GLO, motivadas pela insatisfação popular expressa em protestos em frente a quartéis. Ele relatou que houve uma apresentação de tópicos sobre possíveis ações, mas negou que tenha sido tomada qualquer decisão naquele momento.
O ex-comandante negou ter recebido ou visto uma "minuta golpista" em papel, dizendo que apenas viu informações projetadas em um telão. Ele também rejeitou a acusação de que teria colocado as tropas da Marinha à disposição de Bolsonaro para uma ruptura institucional, afirmando que se manteve dentro de seu papel institucional como comandante.
Garnier relatou ainda uma segunda reunião, em 14 de dezembro de 2022, com Bolsonaro, o então ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e os comandantes das Forças Armadas. Segundo ele, essa reunião foi "estranha" e terminou rapidamente, sem pauta definida ou apresentação de documentos.
"A minha lembrança dessa reunião é que estávamos os três e que não houve apresentação de nenhum documento durante a reunião. É isso que, se o senhor me perguntou de uma apresentação, eu não lembro de ter sido apresentado nenhum documento", afirmou Garnier.
Ele disse ter chegado após os demais e notado um clima de tensão, sem participar ativamente da conversa.
O depoimento de Garnier faz parte da fase final da instrução processual, em que são reunidas provas e ouvidos os réus para embasar o julgamento. Essa etapa é crucial para que os acusados apresentem suas versões dos fatos e respondam às acusações formais.
A PGR considera Garnier e os demais integrantes do grupo parte do "núcleo crucial" da organização criminosa que tentou romper a ordem democrática. Jair Bolsonaro, também réu no processo, deve ser ouvido ainda nesta semana. A acusação sustenta que o grupo discutiu e planejou medidas para impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.
Após os interrogatórios, o processo poderá seguir para diligências adicionais, caso solicitadas, e em seguida será aberto o prazo de 15 dias para apresentação das alegações finais. Só então o caso será levado a julgamento pela Primeira Turma do STF.
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