Brasil
Novo 'round' entre Bolsonaro x Moraes é daqui a pouco: relembre os embates mais marcantes
Previsto para depor na tarde desta terça-feira (10), no Supremo Tribunal Federal, sobre suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro estará frente a frente com o relator da ação na qual é réu, o ministro Alexandre de Moraes, e com que quem teve embates que marcaram a política brasileira nos últimos anos.
Relembre alguns dos principais confrontos:
Os primeiros registros de desentendimentos entre os dois são de 2019, com a abertura do inquérito das fake news, tendo Moraes como relator, que determinou buscas e apreensões contra aliados de Bolsonaro, incluindo blogueiros, empresários e deputados, por suposta disseminação de notícias falsas e ataques ao STF.
Em agosto de 2021, Bolsonaro protocolou no Senado um pedido de impeachment contra Moraes, acusando-o de atuar politicamente contra o Executivo e de violar a liberdade de expressão. O STF repudiou a iniciativa, que foi amplamente criticada, inclusive por aliados do presidente, e não obteve apoio significativo no Congresso.
Em setembro de 2021, Bolsonaro atacou Moraes em discurso público, durante o ato de 7 de Setembro, na Avenida Paulista. Ele chegou a chamar o ministro da suprema corte de "canalha" e "ditador", afirmando que o ministro deveria "se enquadrar ou pedir para sair". Ele disse ainda que não cumpriria mais nenhuma decisão de Moraes.
"Devemos botar freio através dos dispositivos constitucionais daqueles que saem, que rompem, os limites das quatro linhas da nossa Constituição. E eu espero que o Senado Federal bote um freio em Alexandre de Moraes, esse ditador", disse Bolsonaro no discurso.
Posteriormente, o ex-presidente se desculpou, alegando que suas palavras foram ditas "no calor do momento".
Em 2022, Moraes determinou a suspensão de perfis bolsonaristas que, segundo ele, promoviam desinformação e ataques às instituições. Em evento público, Moraes declarou que “ninguém está acima da lei”, em resposta às críticas de Bolsonaro.
Durante a presidência de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2022, após decisões que afetaram a campanha eleitoral de Bolsonaro, ele solicitou ao tribunal que declarasse Moraes suspeito em um caso que investigava o uso indevido de bens públicos em transmissões ao vivo durante o período eleitoral. O pedido foi negado.
Após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, Moraes foi um dos principais alvos dos manifestantes, e Bolsonaro foi investigado por omissão e incentivo aos atos. Moraes incluiu Bolsonaro no inquérito e determinou a quebra de sigilos de aliados.
Depois de ser indiciado por tentativa de golpe, Bolsonaro disse em novembro do ano passado, em um vídeo transmitido ao vivo em seu perfil na rede social X, que Moraes conduzia todo o inquérito, ajustava depoimentos e prendia sem denúncia:
“Faz pesca probatória e tem uma assessoria bastante criativa. Faz tudo o que não diz a lei", afirmou ele.

Em 2025, Bolsonaro foi condenado por incitação à violência e tentativa de golpe de Estado, com possibilidade de prisão e inelegibilidade até 2030.
Na decisão, Moraes destacou que Bolsonaro havia se manifestado publicamente favorável à fuga de condenados "permanência clandestina no exterior, em especial na Argentina, para evitar a aplicação da lei e das decisões judiciais proferidas".
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