Brasil
Lula provoca Macron sobre Mercosul: 'Não deixarei a presidência do bloco sem concluir o acordo com UE'
Durante visita de Estado à França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a retomada da parceria estratégica entre Brasil e França, após mais de uma década sem uma visita oficial de um chefe de Estado brasileiro ao país europeu.
Recebido pelo presidente Emmanuel Macron, Lula afirmou que sua presença em Paris consolida a reaproximação entre os dois países, iniciada com a visita de Macron ao Brasil em 2023.
A visita, que ocorre nesta quinta-feira (5), Dia Mundial do Meio Ambiente, foi considerada simbólica por Lula para reforçar o compromisso conjunto com a sustentabilidade.
"Firmamos hoje dois atos que fortalecerão a cooperação em matéria de hidrogênio de baixo carbono e de descarbonização do setor marítimo", afirmou o presidente, destacando também sua participação na Conferência da ONU sobre o Oceano, em Nice, como parte do esforço global contra as mudanças climáticas.
Na reunião bilateral, os presidentes revisaram os avanços do Plano de Ação firmado em 2024 e assinaram mais de 20 instrumentos de cooperação. Lula ressaltou projetos estratégicos como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos e a fábrica de helicópteros em Itajubá (MG), além de novas negociações para aquisição de aeronaves voltadas ao combate ao crime e a desastres naturais.
"Estamos discutindo uma nova encomenda de aeronaves para dotar o governo brasileiro de meios para combater a criminalidade e enfrentar desastres naturais de forma mais eficaz", disse.
A segurança nas fronteiras também foi tema central. Lula destacou a importância da integração com a Guiana Francesa e a reativação do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica. Um novo acordo entre a Polícia Federal (PF) e autoridades francesas foi assinado para combater crimes e, segundo o presidente, "integrar também implica coordenar esforços para combater o tráfico, o garimpo ilegal e o desmatamento", afirmou.
No campo econômico, Lula criticou o baixo volume de comércio bilateral, que em 2024 foi inferior ao registrado em 2012. Ele defendeu maior integração entre as cadeias produtivas e afirmou que "o intercâmbio bilateral não condiz com a envergadura de nossa Parceria Estratégica", reforçando sua convicção sobre a importância do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE), divergindo de Macron sobre a questão.
"Eu assumirei a presidência do Mercosul no próximo dia 6. Eu quero lhe comunicar que não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia. Portanto, meu caro, abra o seu coração para a possibilidade de fazer esse acordo com o nosso querido Mercosul", disse Lula durante a coletiva conjunta de imprensa.
Lula também abordou temas globais, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU (CSNU) e a necessidade de combater a fome e a pobreza. Emocionado, homenageou Bruno Pereira, Dom Phillips e Sebastião Salgado, destacando o compromisso do Brasil com a democracia, a paz e o desenvolvimento sustentável ao afirmar que "a melhor maneira de honrá-los é garantir que suas lutas não foram em vão", concluiu.
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