Brasil
Mídia: Eduardo Cunha pediu a Mauro Cid que acionasse Bolsonaro para interceder a seu favor
Em troca de mensagens acessada pelo portal UOL, o ex-deputado pediu a Mauro Cid que falasse com o ex-presidente para que este orientasse a AGU a não recorrer da decisão do TRF-1 que anulou os efeitos da cassação de seu mandato.
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha acionou Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, pedindo que intercedesse a seu favor junto ao ex-presidente para reverter o processo judicial que cassou seu mandato e o tornou inelegível.
Segundo noticiou o portal UOL, que teve acesso a uma troca de mensagens por celular entre Cid e Cunha, a conversa se deu em julho de 2022, pouco após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anular os efeitos da cassação de Cunha, consolidada em 2016, por manter um esquema de ocultação de patrimônio no exterior e por recebimento de propina.
Nas mensagens acessadas pelo UOL, Cid parabeniza Cunha por ter recuperado a elegibilidade. "Parabéns! Feliz em saber!", escreveu o ex-ajudante de ordens. Cunha responde pedindo para que Cid acionasse Bolsonaro para que o ex-presidente orientasse a Advocacia-Geral da União (AGU) para não recorrer da decisão. "Muito obrigada, agradeça ao nosso presidente, diga a ele por favor que agora é a hora dele falar com a AGU, para não recorrer. Ele tinha pedido para eu avisar", escreveu Cunha.
As mensagens acessadas não indicam se Cid repassou o pedido a Bolsonaro. A AGU não recorreu da decisão do TRF-1, e Cunha se tornou elegível para concorrer às eleições de 2022. Ele disputou um mandato de deputado federal por São Paulo, mas não foi eleito, recebendo apenas 5.044 votos.
Um dos principais protagonistas do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Cunha foi cassado em setembro de 2016, em votação no plenário da Câmara dos Deputados. Na época, por 450 votos a 10, os deputados decidiram por acolher o parecer do Conselho de Ética da Casa, que afirmava que Cunha mentiu em depoimento dado em 2015, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, quando disse que não tinha contas no exterior, declaração que foi desmentida em investigações posteriores.
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