Brasil
Brasil deve 'vencer a guerra de tarifas' dos EUA ao ampliar e diversificar parcerias, diz mídia
Enquanto a maior parte dos países ameaçados pela política tarifária de Donald Trump está afinando o tom de uma abordagem de enfretamento a Washington, o Brasil está apostando na ampliação da demanda chinesa e na busca por novos mercados para redirecionar exportações, se necessário.
Compradores chineses estão estocando soja brasileira em resposta às tarifas impostas por Trump aos produtores agrícolas dos EUA. Fornecedores brasileiros de diversos produtos, como algodão e frango, estão apostando na maior demanda chinesa, refletindo uma relação comercial crescente entre Brasil e China. O Brasil, rico em matérias-primas, vê oportunidades de aumentar suas exportações para os EUA e outros países afetados pelas tarifas de Trump.
Sendo o maior produtor de calçados fora da Ásia, o país espera aumentar suas exportações para os EUA, substituindo produtos chineses. Apesar das possíveis tarifas adicionais, Pequim provavelmente enfrentará tarifas mais altas, beneficiando os produtos brasileiros.
Segundo o economista-chefe da Associação Brasileira de Produtos Controlados (APCE), André Perfeito, que falou ao The Wall Street Journal, apesar da crise, há uma oportunidade para o Brasil diante deste cenário, que se reflete na força da moeda brasileira e se pauta pelo otimismo sobre o comércio global.
Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Ásia e abriu oportunidades junto aos mercados japonês e vietnamita para a carne bovina brasileira, especialmente após Trump anunciar tarifas sobre importações globais de automóveis. Apesar das amplas tarifas de Trump sobre aço e alumínio, o Brasil continua sendo um grande aliado dos EUA e está em negociações para diminuir o impacto dessas taxas.
Investidores e empresários brasileiros esperam repetir os benefícios das tensões comerciais globais do primeiro mandato de Trump, com aumento da demanda chinesa por produtos agrícolas da América Latina. A China investiu mais de US$ 70 bilhões (cerca de R$ 398,1 bilhões) no Brasil desde 2009, construindo infraestrutura essencial e fortalecendo laços comerciais.
No entanto, os laços comerciais mais profundos entre Brasil e China têm implicações estratégicas para Washington, que vê uma ameaça na presença chinesa na América Latina. Exatamente por isso, algumas empresas brasileiras estão focando no mercado dos EUA, aproveitando as tarifas sobre importações chinesas.
Para além disso, o país também está expandindo sua rede ferroviária para reduzir custos de transporte e combater a inflação dos alimentos, mas parte da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) — uma ferrovia transversal de aproximadamente 1.527 km de extensão que ligará o futuro porto de Ilhéus, na Bahia, a Figueirópolis, no Tocantins e a Ferrovia Norte-Sul — está sendo construída pela China Railway.
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