O povo não pede milagre, pede respeito

30/01/2026
O povo não pede milagre, pede respeito
Palmeira dos Índios - Foto: José Ronaldo / Galeria Falcon Barros

Há um equívoco recorrente no discurso de quem governa: acreditar que o povo exige demais. Não exige. O povo pede pouco, e, mesmo assim, recebe menos. Não pede milagre, não pede obra faraônica, não pede discurso bonito. Pede respeito. Pede o básico funcionando. Pede que a promessa vire serviço e que o imposto volte em dignidade.

Respeito é abrir a torneira e sair água. É acender a lâmpada e a luz não piscar. É chegar à unidade de saúde e ser atendido com cuidado. É trabalhar o mês inteiro e receber no dia certo.

Mas o poder insiste em confundir respeito com espetáculo. Inaugura prédio sem equipe. Anuncia solução sem estrutura. Discursa sobre futuro enquanto falha no presente. O básico, tratado como detalhe, vira drama. E o cidadão aprende a viver em modo sobrevivência.

Em cidades como Palmeira dos Índios, essa distância entre discurso e realidade se sente no corpo. Na fila. Na estrada que leva o doente para outro município. No comércio que perde cliente porque falta energia. No trabalhador que segura a máquina pública sem garantia. O povo não quer luxo administrativo, quer gestão.

Respeito também é ouvir. Não minimizar reclamação. Não ironizar dor. Não terceirizar responsabilidade para o bolso do cidadão. Quando o governante manda “procurar alternativa”, ele abdica do dever. Quando silencia, escolhe. E quando escolhe o silêncio, governa contra.

O povo não pede perfeição. Pede seriedade. Não pede aplauso. Pede resposta. Não pede milagre. Pede respeito. E respeito começa quando o poder entende que governar não é falar alto, é fazer certo — especialmente no básico.

Porque país nenhum avança sem resolver o simples. E cidade nenhuma prospera quando o essencial vira favor.

Vladimir Barros

Vladimir Barros

É advogado militante, formado pela Universidade Federal de Alagoas e pós-graduado em Direito Processual e Docência Superior. Jornalista filiado ao Sindjornal/FENAJ, é membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (AAI) e da Associação Brasileira de Imprensa; Editor do Jornal Tribuna do Sertão. É também membro da Academia Palmeirense de Letras (Palmeira dos Índios) e fundador da Rádio Cacique FM.