Palanques e destinos separados

11/11/2016

Após o resultado da eleição passada, “foram-se as alianças” e “ficaram os dedos”. A história de que os “palanques estão desarmados” é conversa mole e ninguém mais vai dormir de “touca” quando o assunto é compromisso político.

O governo fará até inicío de janeiro uma arrumação político-partidária visando se fortalecer, em que pese ter vencido a eleição na maioria das cidades alagoanas.

Durante a campanha, ficou claro em que campo estão jogando os atores da cena político-eleitoral. E não se pode dar moleza a inimigo. O exemplo de Dilma Rousseff está aí, atualíssimo. Ganhou a eleição com 54 milhões de votos e os derrotados (leia-se PSDB e cia.) aliados à mídia conservadora não deram trégua um segundo sequer até conseguirem armar o golpe e derrubar uma presidente legitimamente eleita pela maioria do povo brasileiro.

Em Alagoas os grandes grupos de comunicação também mostram preferências e o acirramento (diga-se de passagem desnecessário) nos palanques com ataques virulentos em todos os quadrantes serviu pra delimitar quem é quem na conjuntura política de 2018.

Inclusive as preferências desses veículos, que não adianta se enganar já tem compromisso para o próximo pleito.

No interior, quem agora venceu o governo ficará em campo oposto a Renan Filho na sua reeleição, porque os compromissos assumidos na eleição deste ano não permitem mudanças bruscas de palanque.

Na capital, o efeito parece pior porque o prefeito reeleito Rui Palmeira (PSDB) que venceu fácil Cícero Almeida, quer desbancar pessoalmente o governador Renan Filho (PMDB) na eleição vindoura e para isso deverá empenhar as “joias da coroa da capital”, deixando no trono o filho de Biu de Lira (PP).Rui não economizou ataques durante a campanha contra o pai do governador, o senador Renan que o respondeu à altura - após a eleição - e com vigor.

Para se ter uma ideia, Renan refrescou a memória do alagoano ao lembrar que Rui, quando perdeu a eleição para deputado-estadual em 2002 lhe pediu um emprego no senado federal e após ter sido nomeado foi fazerturismo por meses no Exterior e continuou percebendo a remuneração.

“Depois de Rui ter perdido uma eleição, tive que contratá-lo no Senado. Foi um erro, humildemente reconheço. Rui Palmeira não tinha preparo e não gostava de trabalhar. Além do outro empecilho, este insuperável porque moral: ele sempre fez pouco caso do dinheiro público”, disse o senador. A arrumação que Renan Filho (PMDB) deverá fazer em seu governo, após sua viagem de férias a Lisboa, será mais política do que técnica, porque o jogo já está iniciado e os times estão em campo com a faca nos dentes.

Vladimir Barros

Vladimir Barros

Jornalista filiado ao Sindjornal/FENAJ, é membro efetivo da Associação Alagoana de Imprensa (AAI) e editor do jornal Tribuna do Sertão. Advogado militante, formado pela Universidade Federal de Alagoas, com pós-graduação em Direito Processual e Docência Superior. É também membro da Academia Palmeirense de Letras e fundador da Rádio Cacique FM de Palmeira dos Índios.