Fernando Collor: duas cassações numa mesma biografia
Fernando Collor será cassado pela segunda vez. Pela segunda vez será ejetado do mandato político. O político alagoano, que parecia predestinado ao estrelato, deverá sofrer novo revés. Duas cassações numa mesma biografia.
Todos essas conjecturas fazem parte das previsões dentro e fora do Congresso Nacional. Atolado até o pescoço nas investigações, o senador e ex-presidente da República dificilmente resistirá. O tombo é inevitável.
O próprio Collor tem noção de seu trágico destino. Desde que surgiram as primeiras denúncias, ele percebeu que estava encurralado. Sabia que era impossível defender o indefensável e por isso mesmo resolveu atacar.
Atacou a Polícia Federal e em seguida o procurador geral Rodrigo Janot. Ocorre que tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria Geral da República dispõem de um farto conjunto de provas contra o senador.
A primeira delas são os depósitos feitos na conta corrente do senador. Só a cópia dos extratos bastaria para desencadear um processo no Conselho de Ética do próprio Senado Federal. Quanto essas provas foram apresentadas, o senador Randolfe Rodrigues chegou a redigir o texto em que o denunciava ao Conselho de Ética.
Desistiu. Foi convencido pelos colegas de que trazer para dentro do Congresso a Operação Lava Jato poderia ser um ato politicamente imperfeito. Até mesmo procuradores que trabalham na força tarefa da Operação Lava Jato procuraram o senador Radolfe. Pediram para ele não investir contra o Collor pois contra ele existiam muito mais provas e indícios além da cópia dos extratos bancários.
Pegar o criminoso era uma questão de tempo. E foi isso o que se deu quando a Policia Federal cercou a casa da Dinda e recolheu os três carros importados que estavam na garagem do senador. Contam que a atual esposa de Fernando, Caroline, tentou barrar a ação dos agentes da Policia Federal mas recuou diante da possibilidade de ela própria receber voz de prisão.
Contra Collor existem três acusações: corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Para todos esses crimes, existem provas e indícios colhidas pela investigação. Os carros importados continuam em poder da Policia Federal. Um Porsche, uma Lamborghini e uma Ferrari.
Quem vê os super carros estacionados no pátio da Policia Federal chega a fim com pena devido à deterioração de peças tão caras, objeto de desejo dos mais requintados. Outros já imaginam o dia que esses carros sejam leiloados, muitos sonhando com a possibilidade de arrematar um deles por um preço bem abaixo da cotação de mercado.
Fernando Collor sabe que não vai conseguir reaver os automóveis. Será condenado com uma sentença muito dura. Em seguida, dar-se-á a perda do mandato que marcará o seu novo infortúnio.
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