Estou de volta
Já dizia o escritor paraibano, José Américo de Almeida, que “Ninguém se perde no caminho da volta, porque voltar é uma forma de renascer”. E aqui estou retornando ao exercício prazeroso de escrever minha coluna, após meses de regime sabático imposto por questões de saúde e depois por minha indecisão de continuar ou não falando sobre política, como o faço há muitos anos. Refleti bastante sobre o retornar e sempre respondia aos queridos leitores que me abordavam na rua, nos supermercados e locais que frequento: “volto em breve”, mas no intimo a indecisão batia mais forte. Sei que meu estilo de fazer jornalismo incomoda muitos, mas agrada a outros tantos. Nestes tempos de ódios ideológicos, fanatismo político e protagonismo de um governo desastroso e políticos corruptos em sua maioria, me levam a cravar em meus textos uma indignação que não consigo esconder e isso me faz ganhar muito mais inimigos gratuitos, que não toleram a exposição de suas mazelas e falcatruas. Não sou de “meias palavras”, não me toleraria assim. Não tenho dúvidas que minha família gostaria de me ver fora dessa “carnificina imoral” que é a política, mas sei também que ao mesmo tempo minha mulher, minha filha, têm orgulho de como exerço o meu sagrado exercício de escrever, com ética, dignidade sem jamais temer qualquer que seja a circunstância, a convivência com a verdade , doa a quem doer. Na minha caminhada perdi alguns amigos (será que eram mesmo amigos?) e fui perseguido politicamente e sofri represálias por parte de governadores, senadores e outros. Durante a famigerada ditadura militar, escrevia para o Diário de São Paulo e Jornal da Tarde (SP) na editoria de Cultura e fui perseguido apenas por conviver com alguns artistas como Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Nara Leão, Plinio Marcos, Paulo Autran e toda a turma do Teatro Opinião, Procópio Ferreira, Ciro Del Nero, Jô Soares e outros. Com certeza se já escrevesse sobre politica não estaria contado essa história.
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