Sai de nós, Idade Média!
06/02/2014
Jovem negro preso por um cadeado de bicicleta no pescoço. Sheherazade gostou - clique para ampliar[/caption]
A barbárie está tomando conta nas ruas. É incrível a quantidade de pessoas que acham que “bandido bom é bandido morto”. Não sem antes passar por linchamento.
Recentemente um jovem negro foi preso a um poste por um cadeado de bicicleta no Rio de Janeiro. Além disso, ele continha marcas de espancamento e uma orelha cortada. Em Maceió, linchamentos a menores infratores já ocorrem há meses. Houve até um caso de uma pessoa que foi espancada sem ter nada a ver com um suposto assalto no centro da cidade.
E muita gente acha isso correto. Acham que a “bandidagem” tem que ser tratada na porrada. Não é a toa que um selinho gay na novela da Globo gera mais polêmica do que um assassinato com dezenas de facadas. Isso na mesma produção.
Também que reação esperar se na mídia esse tipo de prática é cobrada e reverenciada, seja direta ou indiretamente? O (falso) moralismo tomou conta dos comentários em telejornais e programas diversos.
Ao acordar, as pessoas já se deparam com esse tipo de postura. De tanto passar o justiçamento como algo a se fazer para “salvar o país”, as pessoas que consomem a mídia grande – e infelizmente não são poucas – começaram a reproduzir nas ruas as falas de seus ídolos midiáticos.
E não se trata apenas dos programas dito policiais. Até nos telejornais “sérios” a indicação é para a vingança. Tudo dentro do discurso guarda-chuva de que o Brasil está na lama e que somente com punições duras – por fora do Estado democrático de direito – nossos problemas serão resolvidos. Essa é a cantilena que justifica a barbárie.
Rachel Sheherazade, âncora do Jornal do SBT, é um dos melhores exemplos de glorificação da barbárie. Sobre o caso do menino preso ao poste por um cadeado de bicicleta, ela, depois de falar em rede nacional um monte de atrocidades, soltou um “tá com pena, leva pra casa”.
Sheherazade tem expertise na glorificação de atrocidades, no falso moralismo e na exposição do ódio de classe.
Tudo com sua carinha de boa menina: branca, bem criada na classe média tradicional de João Pessoa, e defensora dos bons costumes. Ela não passa de uma personificação do ódio aos pobres negros que está arraigado na camada social de onde ela vem e/ou representa.
Porém o mais preocupante é o tamanho da ressonância que esse comportamento encontra. Inclusive entre pessoas que se dizem esclarecidas, com seus diplomas – em todos os níveis de graduação – nas paredes de seus escritórios. Médicos, advogados, professores, estudantes, arquitetos, engenheiros. Todo o tipo de “doutor”.
Esse é mais um fenômeno para ser estudado por historiados e sociólogos. Será que algum dia saímos da Idade Média?
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