Uma antologia do samba-jazz

19/05/2026
Uma antologia do samba-jazz

O Brazilian Grupo lança o álbum Oscaravelhos (Selo SESC) – saquem o chiste do título! Oscaravelhos não é apenas uma feliz união de amigos plenos de talento e idade; também não é uma conjunção de astros que só se repete uma vez a cada século. Mas é, sim, a certeza de que a amizade e a música que harmonizam os seus integrantes são indestrutível. E que apenas o amor pela música é “culpado” pela junção que nos permite ouvir tal trabalho. Pela dedicação e pelo prazer que têm ao tocar juntos, eu os aplaudo de pé.

Eis algumas faixas.

“Choro Jazz” (Clayber de Souza): o choro no embalo jazzístico vem no próprio título. Com a partipação especial de Jota Moraes no vibrafone, o papo é reto. O arranjo amplia a participação de cada instrumento, dando saborosos compassos aos duos com o vibrafone. Uma aula de balanço que seduz o ouvinte.

“Valseta” (Janja Gomes): Janja é filho do querido João Parahyba, cujo tema revê o arranjo da gravação do pai, feita em 2011. Numa sequência em que a guitarra se destaca pelo improviso, somada ao naipe de sopro que logo a sucede, o Hammond dá a dica do que vai rolar no arranjo. E tudo flui com a energia dos instrumentistas do Brazilian Grupo.

“Valente” (João Parahyba e Kannec): “Quando me pediram duas músicas, eu falei, ‘não, eu queria ver se o Costita e o Clayber, os meus professores, gostam dessa música’. E eles adoraram a música, falaram, ‘nós vamos gravar essa’. Então eles que escolheram para mim”. Assim diz Joãozinho Parahyba do processo de escolha da sua composição, cujo sax dá inicio à melodia requintada. A gaita surge com absoluta categoria e improvisa. Logo o piano assume a vez de brilhar. A guitarra vem e a batera de João está ali, pronta para ser ouvida em sua dinâmica rítmica.

“Nano” (Hector Costita): o sax vem com a batera e o piano. O samba rola pra fechar a tampa do álbum. Depois de ouvi-lo, penso que por serem artistas que dão à música o prazer de se fazerem ouvir em toda plenitude, mereciam um filme que os premie. Fica aí a sugestão: assim como já fizeram com o conjunto cubano Buena Vista Social Club, os “caras velhos brasileiros” Clayber de Souza, Giba Pinto, João Parahyba, Hector Costita e Aluízio Pontes poderiam ter as vidas imortalizadas na tela.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica: Brazilian Grupo Oscarevelhos é Clayber de Souza, Giba Pinto, João Parahyba, Hector Costita e Aluízio Pontes. Aluízio Pontes: piano; Celso de Almeira: bateria; Clayber de Souza: gaita; Giba Pinto: contrabaixo; Hector Costita: saxofone; João Parahyba: bateria e percussão; Jota Moraes: vibrafone; Marco Pontes “Caixote”: Fender Rhodes, Hammond B3 e piano; Nahame Casseb: bateria; Natan Marques: guitarra e violão; Vera Figueiredo: bateria; Dalto Vicente: mixagem; Carlos Freitas: masterização; André Malaquias e Alex Angelone: técnicos de gravação; Marcos Pontes “Caixote”: diretor e produtor musical.

Ouça o álbum:


Aquiles Reis

Aquiles Reis

Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.