Um artista esplêndido

27/03/2026
Um artista esplêndido
Capa CD Marcos Braccini (Nas Marés)_page-0001 (1).jpg

Hoje trataremos do álbum Nas Marés (selo Klave) do cantor e compositor Marcos Braccini. Desde o lançamento, o CD acompanha três videoclipes; ao longo do ano, a eles se somarão outros nove que ilustrarão as onze faixas gravadas. Nas Marés (2026) é o terceiro trabalho solo de Braccini – precedido por Pós-Noturno (2014) e Wiara (2015). Produtor, arranjador, poeta e compositor, Braccini é graduado em Composição pela Escola de Música da UFMG e estudou na Film Scoring Academy of Europe (Bulgária), na Akademia Muzyczna w Krakowie (Polônia) e na Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte.

A tampa abre com “Evangelho” (já lançada em videoclipe), obra-prima de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro que vem acrescida do poema incidental “Vidência”, também de Paulinho Pinheiro. O arranjo de Rafael Martini agrega mais vigor à melodia e aos versos enérgicos e fortalece a música, enquanto a intro cabe ao violoncelo de Maria Clara Valle. A flauta de Alexandre Andrés vem, e logo o clarinete de Alexandre Silva se junta a ela. O trombone de Jonas Hocherman encorpa o som com o apoio do baixo de Paulo Sartori e da pegada da batera de Felipe Continentino. O piano de Rafael Martini, ele que é também diretor musical do CD, enobrece a melodia genial de Dori. E assim, Braccini canta convicto de que sua escolha para abrir o álbum determinará a potência do que virá a seguir. Como se não bastasse, a poetisa Brisa Marques faz uma leitura absolutamente emocionada do poema “Vidência” – é quando o comentarista se vê emocionado com o que ouve.

Você, gente boa, que lê esta resenha, precisa ratificar o que digo, para então também deixar-se seduzir pela beleza que tocará o seu coração.

A seguir, “Itinerário”, de Marcos Braccini, Flávio Henrique e Brisa Marques (também já lançado em videoclipe), tem participação especial das vozes de José Miguel Wisnik e Ilessi, juntas à de Braccini. Acompanhado pelos mesmos instrumentistas da faixa anterior, Zé Miguel inicia cantando com violoncelo, flauta, trombone e clarinete, que amparam sua voz diferençada. Logo desponta outra voz de impressionante beleza: Ilessi... ela que antecipa um intermezzo de trombone, piano e batera que, por sua vez, aguardam a voz de Marcos Braccini. E ouve-se as vozes comovedoras. Amparado pelo violão, o piano vem em novo intermezzo. Um improviso de trombone e piano antecede um arranjo que rola arritmo, enquanto o trio canta com alma enternecedora. Eis que o violoncelo, tangendo apenas uma corda, arremata. Meus Deuses!

Concluo: Nas Marés consolida a carreira de Marcos Braccini, um músico de rara criatividade.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica: Produção: Marcos Braccini, Rafael Martini e Pedro Durães; mixagem: Ricardo Mosca; masterização: Carlos Freitas (no Classic Master USA); gravação: Pedro Durães; gravação de vozes: Rafael Dutra; pós-produção: Pedro Durães; pós-produção adicional: Rafael Dutra.

Ouçam o álbum:

Aquiles Reis

Aquiles Reis

Aquiles Rique Reis (Niterói, 22/05/1948) começou cantando em coral e igreja. Aos 15 anos, trocou o rock pela música brasileira após se encantar com João Gilberto. No CPC, formou o Trio do CPC e participou de movimentos culturais. Em 1964, fundou o MPB-4, que ganhou projeção no Fino da Bossa (TV Record) e entrou na Gravadora Elenco por convite de Aloysio de Oliveira. Foi presidente do Sindicato dos Músicos do Rio até 1984 e militou contra a Ditadura.