sábado, 25 de setembro de 2021

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Jornalismo cultural brasileiro perde a genialidade de Artur Xexéo

O escritor, tradutor, dramaturgo, comentarista, colunista e jornalista Artur Xexéo, de 69 anos, morreu na noite de domingo (27), no Rio de Janeiro, vítima de um linfoma. Na última sexta-feira (25), ele foi internado após sofrer uma parada cardíaca. A notícia foi confirmada pelo amigo Ancelmo Gois, que despediu-se do escritor em coluna assinada em “O Globo”.

“Vai deixar uma saudade profunda neste colunista, que teve o privilégio de trabalhar com Xexéo em Veja, Jornal do Brasil e O Globo. Além de contar com a sua generosa amizade. Ao seu companheiro Paulo, uma solidariedade profunda”, lamentou Ancelmo.

A morte de Xexéo foi também noticiada no ‘‘GloboNews’’. Segundo o programa ‘‘Fantástico’’ (TV Globo), ele estava internado na clínica São Vicente, na zona sul do Rio, onde tratava um  linfoma não hodgkin. O portal ‘‘G1’’ apurou o seguinte sobre a causa da morte, Xexéo foi diagnosticado apenas duas semanas atrás com um linfoma não Hodgkin de células T. Fez a primeira sessão de quimioterapia na quinta e passou mal à noite. Na sexta, teve uma parada cardiorrespiratória, logo revertida. Mas, em função dela, não resistiu e morreu na noite deste domingo. Artur Xexéo deixa o companheiro, Paulo Severo, com quem foi casado por 30 anos.

Segundo registros do ‘‘Memória Globo’’, Xexéo começou a carreira em 1978, no “Jornal do Brasil” no posto de repórter na sucursal do Rio de Janeiro. Lá ele conheceu o jornalista Zuenir Ventura e, em 1982, foi convidado para trabalhar na revista “Isto É”. Em 1985, virou subeditor da Revista de Domingo, suplemento cultural do ‘‘Jornal do Brasil’’. Xéxeo também foi editor do Caderno B, do caderno de Cidade e subsecretário de redação. Em 1992, foi convidado para ser um dos colunistas do jornal. Em 2000, mudou de casa. Virou colunista do jornal ‘‘O Globo’’. Foi também editor do suplemento Rio Show e do Segundo Caderno.

Atualmente, Xexéo atuava como colunista do jornal “O Globo” e comentarista na ‘‘GloboNews’’, no programa ‘‘Estúdio i’’, sob o comando da jornalista Maria Beltrão. Artur também teve passagens pela revista “Veja” e, desde 2015, após a morte do saudoso José Wilker (1944 – 2014), participava da cobertura e transmissão do Oscar na Globo. Também ficou conhecido no rádio. Na ‘‘CBN’’, estreou ao lado de Carlos Heitor Cony (1926 – 2018) como comentarista.

Reprodução/Instagram

Multifacetado Xexéo também era dramaturgo. De acordo com informações do acervo ‘‘Memória Globo’’, escreveu os musicais “A Garota do Biquíni Vermelho” (2010), “Nós Sempre Teremos Paris” (2012) e “Minha vida daria um bolero” (2018). Foi responsável pela dramaturgia do musical “Cartola – O mundo é um moinho”. No Brasil, foi responsável pela adaptação da peça estadunidense “A cor púrpura”. Traduziu o espetáculo musical “Xanadu”, dirigido por Miguel Falabella, e “Love Story, o musical”, dirigido por Tadeu Aguiar. Como lembra o portal ‘‘G1’’, um de seus últimos espetáculos escritos foi “Bibi, uma vida em musical”, em homenagem à diva do teatro Bibi Ferreira (1922 – 2019).

Como escritor escreveu os livros “Janete Clair: a usineira de sonhos” (1996), “O torcedor acidental (crônicas)” (2010) e “Hebe, a biografia” (2017). Escreveu ainda, junto com Carlos Heitor Cony (1926 – 2018) e Heródoto Barbeiro, “Liberdade de Expressão” (2003). Também ficaram marcadas suas participações como jurado no quadro ‘‘Dança dos Famosos’’, no ‘‘Domingão do Faustão’’ da ‘‘TV Globo’’.

Em entrevista ao ‘‘Memória Globo’’, o jornalista definiu sua classe da seguinte forma:

“Acho que o jornalismo vive de surpresas, você bota na primeira página o que surpreende o leitor, você procura a manchete que surpreenda o leitor, não tem nada mais chato que manchete velha, notícia velha na manchete, então eu acho que o desafio é você surpreender todo dia e quanto menos rotina você tiver, mais fácil você surpreender.”

Sobre o ‘feedback’ dado a seu trabalho, afirmou o seguinte em inúmeras entrevistas concedidas ao longo de quase 45 anos de carreira :

“Tudo que eu faço, o que eu edito, o que eu escrevo, é em nome do leitor. Então, eu acho que ele tem o direito de reivindicar, de gostar, de não gostar, de reclamar, de escrever, de se colocar, de se posicionar, eu gosto de participar dessa troca”.

O jornalismo cultural perde o texto leve, direto e certeiro de um dos precursores da área. E eu perco mais um ídolo, siga em paz mestre.

Reprodução/Instagram

 

 

 

 

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