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Que país é este onde chefes de facções criminosas continuam desafiando as autoridades

Julio Cardoso 30/05/2026
Que país é este onde chefes de facções criminosas continuam desafiando as autoridades
Júlio César Cardoso - Foto: Divulgação

A propósito da prisão da advogada Deolane Bezerra dos Santos na Operação Vernix - investigação que atribui a ela lavagem de dinheiro do PCC, algumas considerações.

Falta ao Brasil coragem para enfrentar de verdade os criminosos que comandam facções de dentro das cadeias. O sistema penal benevolente trata esses bandidos com leniência, permitindo que continuem ditando ordens e sustentando suas famílias com dinheiro do crime. Enquanto isso, advogados enriquecem com honorários pagos por recursos ilícitos, sem qualquer obrigação de revelar a origem desse dinheiro, e aqui está a raiz do problema.

É atacando essa fonte que sustenta os defensores do crime que poderíamos enfraquecer a vida dos criminosos, ou seja, o poder econômico das facções, mas a legislação brasileira fecha os olhos.

Casos como os de Fernandinho Beira-Mar e Marcola mostram que, mesmo presos, eles seguem desafiando o Estado e custando milhões aos cofres públicos. A impressão que fica é que nossas autoridades têm medo de enfrentar de verdade essa bandidagem. E não podemos esquecer que dentro do Legislativo há representantes dessas facções, como o ex-deputado estadual fluminense TH Joias, hoje atrás das grades.

Precisamos urgentemente de um sistema de tolerância zero como ocorre na China, que não dê espaço para criminosos de alto coturno nem para quem lucra com o dinheiro sujo que os sustenta, e que se aplique também a políticos corruptos e a servidores que subtraem dinheiro público.

O governo brasileiro demonstrou falta de habilidade — ou, talvez, tenha se omitido deliberadamente por interesses ocultos. Como consequência, os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, decisão que pode trazer consequências imprevisíveis para o país.

O Brasil só será livre dessa praga quando a lei proteger, de fato, o cidadão de bem, e não continuar servindo de escudo para quem vive do crime.

Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC