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Viver ensina a pensar
Vivíamos os derradeiros anos do século XX quando, na condição de diretor do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Alagoas, participei de uma reunião do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, realizada em Maceió.
Naquela ocasião, fui profundamente tocado por um discurso que aliava lirismo e consistência, proferido pelo dirigente máximo da mais antiga e consagrada instituição federal de ensino superior do Rio Grande do Norte.
Potiguar de nascimento e alagoano por escolha e afeto, fiz questão de cumprimentá-lo pessoalmente. Tratava-se de Diógenes da Cunha Lima.
Com o passar dos anos, mesmo radicado em Alagoas, acompanhei sua notável trajetória profissional, destacando-se tanto no magistério quanto na gestão pública, mas foi, sobretudo, no campo das letras que consolidou sua mais elevada expressão. Como pensador, soube transformar ideias em textos que não apenas refletiam, mas ampliavam sua vocação literária.
No plano humano, distinguiu-se sobretudo pela amizade com o ícone do folclore brasileiro, Câmara Cascudo, mas também pela relevante produção intelectual dedicada ao mestre, materializada em estudos e obras amplamente reconhecidos.
O destino, com sua habitual sutileza, proporcionou-nos um reencontro recente, por ocasião de minha investidura como “sócio de honra” da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, onde ele exerce, com brilho, a presidência.
Aclamado por sua criatividade e erudição, destaca-se, igualmente, pela rara habilidade no convívio humano, constituindo-se, hoje, em uma das mais expressivas referências culturais do Nordeste, com reconhecimento em todo o país. Autor de dezenas de obras, publicou recentemente seu mais novo trabalho, intitulado “Aforismos, Talvez: dicionário de pensamentos”.
Ao recebê-lo, renovei meu encantamento diante da força criativa de um pensador completo, poeta, ensaísta, biógrafo e articulista, cuja obra se inscreve entre aquelas destinadas a permanecer. Diógenes não apenas escreve: constrói elos entre o saber e a sensibilidade, entre o passado e o porvir. E, com a humildade que distingue os verdadeiramente grandes, define-se como alguém “que vive para aprender a pensar”, revelando, nessa simples afirmação, a essência de sua fortaleza literária e humana
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