Artigos
O caos não é um selo de produtividade ou por que a organização é a maior vantagem competitiva
No mundo corporativo, existe um mito perigoso de que estar "sempre ocupado" ou com a mesa cheia de papéis é sinônimo de importância. Ledo engano. A verdade é que a desorganização é um ralo invisível por onde escoam prazos, oportunidades e, principalmente, a sua saúde mental.
Organização pessoal não é sobre ter uma agenda colorida ou um checklist infinito. É sobre gestão de energia. Quando você não domina sua rotina, a rotina domina você. O resultado? A sensação angustiante de "apagar incêndios" o dia todo sem, de fato, sair do lugar.
Na prática, no entanto, para deixar de ser refém das urgências, precisamos aplicar filtros estratégicos. Não se trata de fazer mais, mas de fazer o que importa. O Urgente acaba por se constituir uma ditadura, muitas vezes, negligenciamos o que é importante porque estamos ocupados demais com o que é apenas urgente, ou pior, apenas barulhento. A Matriz de Eisenhower comete um erro fundamental: tenta qualificar itens por importância, em um mundo onde o tempo é precioso demais para ser consumido com o não-importante.
A aplicação de sistemas e não apenas da força de vontade pode ser uma alternativa, já que sabemos que confiar na memória é o caminho mais curto para o erro. Metodologias como o GTD (Getting Things Done) servem para tirar a carga cognitiva do cérebro e colocá-la em sistemas confiáveis. Assim como complementar essa metodologia com a Técnica Pomodoro pode manter o foco profundo, permitindo um salto da produtividade.
É preciso ainda desenvolver a técnica de largar o controle, uma vez que o profissional que tenta centralizar tudo, vira o próprio gargalo da equipe. Automatizar processos repetitivos e delegar tarefas não é "trabalhar menos", é gerir com inteligência. O tempo deve ser investido onde o talento é insubstituível. Podemos dizer que organização é um músculo que precisa de manutenção. A revisão semanal é o momento de "subir na torre de controle" e olhar o panorama geral. Sem esse ajuste, o acúmulo de pequenas pendências vira uma avalanche em poucos dias.
Na realidade, constatamos que ser organizado não transforma ninguém em uma máquina; pelo contrário, ajuda a devolver a humanidade, fornecendo o tempo necessário para pensar de forma estratégica, para descansar sem culpa e para entregar excelência sem o peso do esgotamento. No final das contas, a organização é a liberdade de escolher onde o esforço será aplicado, com a conclusão que organização não é um "dom", mas uma estratégia de sobrevivência e alta performance.
*Bruno Rosa é engenheiro eletricista e managing director da Domperf High Performance, empresa de treinamento de alto desempenho profissional e consultoria empresarial. Há mais de uma década tem se dedicado ao estudo da neurociência e comportamento, estabelecendo padrões práticos baseados em conceitos dos maiores especialistas do mercado. A partir dessa experiência e vivências internacionais criou e aperfeiçoou uma metodologia inovadora baseada em situações de dentro e fora de empresas. https://domperf.com.br
Mais lidas
-
1DEFESA ESTRATÉGICA
Estados Unidos testam míssil intercontinental Minuteman III com sucesso
-
2LUTO NA TELEDRAMATURGIA
Morre Dennis Carvalho, ator e diretor de clássicos como “Vale Tudo” e “Fera Ferida”, aos 78 anos
-
3ESTADUAL
CRB e ASA voltam a decidir o Alagoano pela quinta vez consecutiva; FAF define datas e locais
-
4ALERTA METEOROLÓGICO
Litoral de SP pode registrar em poucas horas chuva prevista para o mês inteiro
-
5VESTIBULAR USP
FUVEST: como se preparar desde já para ser aprovado