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Seu negócio talvez precise de óculos
A miopia empresarial é um mal silencioso. Em mais de trinta anos atuando na transformação de negócios, percebi que a maioria das empresas que entra em colapso não morre por falta de produto ou de mercado, mas porque seus líderes perderam a capacidade de enxergar com clareza.
É como se a organização estivesse tentando navegar um mar revolto sem óculos, ignorando que a visão é o sentido mais vital para a sobrevivência institucional.
Muitas vezes, me deparei com gestores que sofrem de uma miopia de "curto alcance". Eles estão tão obcecados com o incêndio do dia, com o boleto que vence em poucas horas ou com a meta da semana, que não conseguem ver a tempestade se formando no horizonte.
Por outro lado, vi o oposto. Líderes que só enxergam o "longe", vivendo de sonhos disruptivos e projeções futuristas, enquanto tropeçam nos próprios pés porque ignoram que o caixa está secando agora.
A verdade é que a miopia não é apenas uma falha de visão, é uma falha de percepção. Ela acontece quando a empresa para de ler os sinais. Internamente, o ambiente fica embaçado quando não há transparência e as pessoas têm medo de falar a verdade. Externamente, a visão falha quando ignoramos que o mundo mudou e tentamos aplicar fórmulas de dez anos atrás para resolver problemas de hoje.
Para corrigir esse problema, defendo que precisamos desenvolver uma visão ambidestra. É como usar lentes bifocais: uma lente foca na eficiência do que fazemos hoje (a operação, o lucro, a sobrevivência), enquanto a outra busca o que faremos amanhã (a inovação, a mudança, o novo mercado). Sem esse equilíbrio, a gestão torna-se perigosa. Se você foca só no presente, o futuro te atropela, mas se foca só no futuro, você não chega até lá.
Ao longo da minha trajetória, vi que a resiliência não é uma questão de sorte, mas de ajuste de foco. As empresas que se recuperam são aquelas que admitem que não estão enxergando bem e aceitam limpar as lentes antes que seja tarde demais.
A miopia empresarial tem cura, mas o tratamento exige coragem para encarar os fatos e disciplina para manter os dois olhos abertos: um no caixa e outro na estratégia.
Como está o "exame de vista" da sua empresa hoje? Você está lendo o cenário real ou apenas interpretando vultos e borrões enquanto o tempo passa? Não espere o impacto para descobrir que precisava de óculos. Ajuste o seu foco enquanto ainda há caminho pela frente.
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Rodrigo Tetti Garcia é Mestre em Administração de Empresas e autor de "Genes Sustentadores - Competências para a sobrevivência e transformação empresarial"

Divulgação
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