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As ruas das cidades escancaram a realidade brasileira
As ruas das cidades brasileiras escancaram uma realidade dolorosa: pessoas dormem ao relento, sem amparo, expostas à fome e ao frio. Essa cena cotidiana revela o abandono social e a indiferença dos governantes e parlamentares. O Congresso Nacional, que deveria ser a casa do povo, dedica-se quase sempre a pautas de interesse político, ignorando a miséria que se espalha diante de nossos olhos.
O voto, que deveria ser instrumento de transformação, tornou-se no Brasil uma obrigação sem resultados concretos. O sistema de voto obrigatório não produziu, até hoje, efeitos positivos para o futuro da nação. Ele apenas mantém a engrenagem funcionando, mas sem garantir que os eleitos estejam comprometidos com a dignidade humana e com a justiça social.
Nesse contexto, não votar pode ser compreendido como uma forma legítima de protesto. Não se trata de abrir mão da chance de influenciar o futuro, mas de demonstrar insatisfação com um modelo que força a participação sem oferecer alternativas reais de mudança. O voto facultativo daria ao cidadão a liberdade de escolher se deseja ou não participar, e essa liberdade poderia ser um passo para uma democracia mais consciente.
O problema é que, após eleitos, muitos políticos esquecem os eleitores. As promessas de campanha se dissolvem rapidamente, substituídas por interesses próprios, acordos de poder e benefícios particulares. O povo, que deveria ser prioridade, torna-se invisível.
Por isso, votar hoje no Brasil é visto por muitos como perda de tempo. É dar emprego a políticos, enquanto o eleitor continua desempregado e o país não prospera. Essa contradição alimenta a descrença e reforça a ideia de que o voto obrigatório não tem cumprido sua função de promover mudanças reais.
Calejado pela experiência de décadas acompanhando a política nacional, afirmo que não voto mais em político. Mesmo assim, mantenho o direito de contestar qualquer governo ou parlamentar indecoroso, pois sou um pagador de impostos que sustenta os políticos. Esse direito é inalienável e reforça a legitimidade da crítica.
O desafio está em repensar a democracia brasileira. É preciso discutir seriamente o voto facultativo, fortalecer a consciência crítica do eleitor e exigir que os representantes eleitos não se esqueçam de quem os colocou no poder. Só assim poderemos romper com o ciclo de abandono e construir um futuro em que a dignidade humana seja, de fato, prioridade.
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