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Não era a única cópia
Quando jovem, Napoleão Bonaparte participou de um concurso, no qual apresentou um texto que versava sobre o seguinte tema: “Quais são as verdades e sentimentos fundamentais que um homem deve dominar para ser feliz?”
O ano era 1791, e ele esperava ganhar o prêmio de 1200 francos.
Ele levou seis meses para escrever a tal redação e, no final das contas, não obteve êxito na sua empreitada.
Apesar de não ter sido vitorioso, seu texto é, ainda hoje, digno de ser lido e meditado, tamanha é a sua atualidade, visto que suas palavras nos convidam a uma profunda reflexão sobre as ambições insaciáveis que vicejam na alma humana.
Aliás, vejamos um trecho do dito-cujo: “...a ambição que leva governos e fortunas à ruína, que se alimenta de sangue e crimes, a ambição é, como todas as paixões desordenadas, uma febre violenta e irracional que só cessa, como uma conflagração que, atiçada por um vento impiedoso, só finda depois de tudo ter sido consumido.”
Palavras nesse tom foram, ao longo de algumas páginas, ilustradas com diversos exemplos históricos, que iam de Alexandre Magno, passando por Júlio César e, por fim, chegando a Oliver Cromwell.
Agora, já pensou se esse brado contra a tirania tivesse sido apresentado ao imperador Napoleão? Então, foi.
Seu ministro das Relações Exteriores, Talleyrand, desenterrou o referido e o entregou ao imperador francês. Após lê-lo, Bonaparte teria dito que o autor daquela missiva merecia ser açoitado e, então, Sua Majestade murmurou, enquanto jogava no fogo aquilo que imaginava ser a única cópia: “Que ideias ridículas eu tive e como ficaria chateado se tivessem sido impressas”.
Atualmente, não temos mais entre nós homens da envergadura titânica de um Alexandre Magno ou de um Napoleão, porém, não são poucas as imitações fajutas que infestam nossa época com suas pretensões megalomaníacas e, por isso, creio que a leitura da tal redação poderia fazer muito bem a inúmeros corações despoticamente peludos e, quem sabe, inspirá-los a mudar de rumo, antes que seja tarde.
Sim, antes que seja tarde, porque, como o poeta Juvenal nos lembra, o mundo inteiro não foi grande o suficiente para a ambição de Alexandre, mas, no final, um caixão bastou.
De mais a mais, de que adianta ao homem ganhar o mundo se ele perder tudo? Realmente vale a pena? Pois é, foi o que eu imaginei.
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