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Muito além da cretinice digital
Desconfio sempre de pessoas muito entusiasmadas, da mesma forma que não levo a sério os alarmistas, que fazem uma canja rançosa com qualquer pé de galinha.
Bem, esse não é o caso de Michel Desmurget, doutor em neurociência e autor do livro “A fábrica de cretinos digitais”. Aliás, um baita livro.
No meu entender, essa deveria ser uma leitura obrigatória para pais, professores e, principalmente, para os burocratas e políticos que não se cansam de inventar traquitanas que, hipoteticamente, melhorariam a qualidade da educação.
Não duvido que políticos e burocratas, que se empolgam com toda ordem modismos, estejam cheios de boníssimas intenções, não mesmo. O problema, como todos nós sabemos, é que o inferno está cheio delas.
Enfim, em resumidas contas, a obra de Desmurget nos apresenta estudos, dados, fatos e evidências que demonstram o quão lesivo é para a formação das nossas crianças a exposição precoce e desmedida às telas, da mesma forma que desmitifica inúmeras crendices a respeito dos supostos benefícios que essas aratacas digitais trariam para o desenvolvimento cognitivo da gurizada.
Sem dúvida alguma, celulares e computadores podem ser úteis como ferramentas auxiliares nos estudos, jamais como o centro da aprendizagem. De mais a mais, quanto do tempo despendido com telas realmente é voltado para o aprendizado zeloso de algo? E com entretenimento vazio? Pois é.
O tempo com os olhos pregados nas telas, segundo o autor, varia de acordo com a faixa etária e com a classe social, mas, de um modo geral, um adolescente usa 7h22 por dia, o que representa 45% do tempo de vigília (acordado). No correr de 1 ano são 2680 horas; tempo equivalente a quase 3 anos letivos do Ensino Médio. Um tempo perdido para todo o sempre no deserto digital.
E, como todos nós sabemos, a superexposição a telas, além de reduzir o poder de atenção dos indivíduos (em média, 8 segundos), também diminui a capacidade de concentração, tornando-os impacientes, ansiosos e apáticos.
Enfim, essa é uma leitura urgente para aqueles que realmente estão preocupados com o futuro das tenras gerações o que, com o perdão da palavra, não tem nada que ver com essa conversa surrada de melhor educação da Via-Láctea, que só existe na cabeça de políticos e burocratas, que pensam em tudo, menos no futuro da criançada.
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