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Machado de Assis à Inglesa
Nas minhas leituras diárias, deparo-me com uma novidade inusitada. O professor John Gledson, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, traduziu para o inglês o romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Interpretou o pensamento machadiano de forma erudita.
Desta feita, o mestre vê Machado de Assis numa dimensão maior, ou seja, na linha intelectual influenciando gerações.
Segundo ele, Machado de Assis é riquíssimo no sentido de buscar a palavra adequada para qualquer situação. Interpretá-lo, na ótica do escritor inglês, traduz responsabilidade e, ao mesmo tempo, cultura latino-americana na contemporaneidade literária.
The Receptive Realism of Dom Casmurro, de John Gledson, lançado no Brasil em 1984, recebeu na língua portuguesa o título Machado de Assis: Impostura ou Realismo. Expõe qualidade intrínsecas do escritor carioca até aqui não reveladas.
Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS, nasceu no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, em 1839, e faleceu na mesma cidade em 1908.
Descendente de pai mulato com uma lavadeira lusa, trabalhou como topógrafo e revisor de jornais, onde se destacou como articulista da época. Fez sua trajetória literária sozinho, isto é, autodidata. Fundou a Academia Brasileira de Letras (1897), sendo seu primeiro presidente.
Gago e epilético, não se intimidou com sua deficiência. Pelo contrário, tornou-se não escritor, mas um grande escritor, no ponto de vista dos críticos literários.
Prosador, romancista, ficcionista, embelezou a literatura brasileira com obras imorredouras, como: “Iáiá Garcia” (1878). Como realista, escreveu “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1880), “Quincas Borba” (1892), “Dom Casmurro” (1900), “Esaú e Jacó” (1903) e “Memorial de Aires” (1908).
Com invejável talento, Machado de Assis escreveu contos, crônicas, poesias e, ao mesmo tempo, enveredou pelo teatro, demonstrando, assim, ser um escritor na expressão máxima da produção intelectual.
Nesse sentido, Machado de Assis internacionalizou-se depois de oitenta e sete anos do seu falecimento. Leva, portanto, o Brasil a ser reconhecido não como País do Carnaval, mas berço de um escritor renomado à inglesa.
Alguns escritores consideram a língua portuguesa morta. O vernáculo que se herdou de Camões e Bilac é rico em sinonímia e, por isso, sobrepuja as línguas neolatinas. Merece, portanto, ser respeitada pela sua tradição, pelo desempenho das letras e, sobretudo, pela pujança dos seus escritores. Graciliano Ramos, Machado de Assis e Jorge Amado representam à altura a grandeza do idioma pátrio falado pelos patrícios e pelos luso-irmãos.
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