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Plenilúnio sertanejo
O dia terminou quente e abafado, o sol caiu no poente como uma bola de fogo e seus raios crestavam com os últimos lampejos, a velha serra do Pedrão. Ao longe, ouvia-se o som do sino da centenária capela da Imaculada Conceição, o homem do campo vergado de sua faina diária, para por instante, e escorado no cabo da enxada, volve seu pensamento para o autor da criação, é Ave Maria… Por entre as folhas lisas dos ouricurizeiros, a lua esparge seus primeiros raios prateados sobre o sertão adusto e seco. É lua cheia, o plenilúnio no sertão, quando a lua atinge o seu ponto máximo, tornando-se mais bonita e mais catita. Jovelina, sertaneja bonita, fitou a beleza da lua e exclamou: “Hoje é lua de mel, é o casamento da lua com o sol, só quem ambos não se encontram”. Os raios do luar aspergidos sobre as pedras lisas no escarpado do sertão dava um aspecto triste e lúgubre, no galho hirto do mulungu na beira da estrada, cantava a mãe da lua com seu pescoço estirado, que parecia se misturar com o alongamento da madeira, e a cauã no alto da Caraibeira soltava seu canto agoureiro no meio da natureza morta, onde o silêncio era a tônica maior naquele ambiente solitário. Era a seca bravia e tirana de 1.970.
A cacimba de minação lá do Gameleiro, estava apinhada de gente, na espera da água que brotava do seio casto da terra, era água salobra, mas não tinha outra melhor, tinha que se valer dessa água, quando os carros-pipa ainda não haviam.
A seca é sempre o flagelo para a humanidade, mormente o homem do campo, haja vista ser a água indispensável a todos os seres. As estradas empoeiradas cheias de gente conduzindo potes, latas, enfim, toda espécie de utensílio para conduzir água para o consumo humano. E quando no sertão ocorre plenilúnio, vê-se no clarão da lua a beleza sertaneja. O saudoso poeta Olímpio Sales de Barros (1.910-1.974) escreveu esta décima inspirado na seca de 1.970: “no fim de 1.969/ ainda estava chovendo/ muita gente já dizendo,/ 1.970 sei que não chove/ o que é que se resolve/ se a trovoada falhar/ eu aqui não vou ficar,/ porque não dá jeito pra mim,/ o tempo está seco e ruim/ e a chuva não quer chegar”. Foi, pois, nos tempos passados, que, quando ocorriam as grandes secas, as pessoas enfrentavam grandes agruras, porque sem água ocorre a escassez de alimento, gerando o êxodo, o homem em busca da sobrevivência. As grandes secas que têm dominado a história nos últimos anos, deixaram marcas indeléveis na vida das pessoas, o progresso muda a face das grandes secas, órgãos criaram condição de vidas mais amenas nas pessoas. Construções de barragens, cisternas, água encanada do rio São Francisco, muito melhorou, os carros-pipas tem ajudado muito no transporte da água para o povo. Espera-se que, o propalado canal do sertão venha resolver deveras, um grava problema, porém o rio carece é de revitalização, para poder ser feita a transposição.
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