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É muito tarde!
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1784, Francisco José de Carvalho e veio a falecer em Niterói, em 1875. Ingressando na Ordem dos Franciscanos, tomou o nome de Frei Francisco de Monte Alverne. Foi professor de Retórica e de Filosofia.
Destacou-se como orador sacro. A voz vibrante e a expressão de exímio pregador fizeram-no verdadeiro gigante na oratória. Contudo, quando chegou à idade de 52 anos, foi acometido de cegueira em ambos os olhos.
Recolheu-se silenciosamente ao convento e raramente sua voz se fez ouvir nas pregações litúrgicas. Certa feita, recebeu um pedido de D. Pedro II. Fazer uma pregação na Capela Imperial. Eis que, no dia 19 de outubro de 1854, aquele sacerdote foi ao púlpito da Capela Imperial fazer um panegírico de São Pedro de Alcântara.
Em rápidas pinceladas, vejamos quem era esse Pedro de Alcântara. Filho de um jurisconsulto, nasceu em 1499, em Alcântara, na Espanha. Estudioso, desde pequeno, chegou a estudar na Universidade de Salamanca, o então maior centro de estudos em toda a Espanha.
Entrou na Ordem de São Francisco de Assis e conseguiu fazer grande reforma na Ordem Franciscana. O imperador Carlos V pediu-lhe conselho algumas vezes e o rei de Portugal, João III, solicitou, várias vezes, para que Pedro de Alcântara passasse algum tempo na corte portuguesa. Aos 63 anos de idade, fatigado e contrito, entregou a sua alma a Deus.
Eis que. Monte Alverne, na sua pregação na Capela Imperial, já na peroração de seu panegírico faz uma referência ao estado de saúde, de modo especial em relação à cegueira que estava em seus olhos e declara que até para o público que o ouve, ele parece um estranho. E diz textualmente: “É tarde…. É muito tarde! Seria impossível reconhecer um carro de triunfo neste púlpito, que há dezoito anos é para mim um pensamento sinistro, uma recordação aflitiva, um fantasma infenso e importuno, a pira em que arderam meus olhos e cujos degraus desci só e silencioso para esconder-me no retiro do claustro”.
Quando Monte Alverne afirma: É tarde…. É muito tarde, ele quis dizer que era tarde demais para ele se alegrar ante o púlpito no qual ele esteve tempos atrás. A vista que ele perdeu e não havia mais condições de recuperá-la.
Com certeza, há males que não se remedeiam. Contudo, do ponto de vista da vida espiritual bem que se podem superar. Como disse o Papa Francisco: o individualismo, a crise de identidade e o declínio do fervor. O mencionado Sumo Pontífice proclamou, no dia 11 de abril de 2015 um Jubileu Extraordinário de Misericórdia. Ou seja, proclamou o Ano Santo de Misericórdia que teve início no dia 8 de dezembro de 2015, festa da Imaculada Conceição de Maria.
Ninguém deve desanimar da misericórdia de Deus. A parábola do filho pródigo lembra que Deus está sempre disposto a receber o filho que se afastou livre e espontaneamente da casa do Pai. Jesus ensinou a chamar Deus e Pai. Esse Pai que sempre ama e sempre perdoa. Quem se desviou dos ensinamentos de Jesus, nunca pense que é tarde demais para voltar ao caminho certo. Quem se volta para Deus é sempre por Ele acolhido. Nunca se diga: É muito tarde!
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