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Nilton Oliveira
O Governador Luiz Cavalcante, em 1963, me nomeara Secretário da Fazenda. Desejoso de estimular o aumento da arrecadação, implantou o Bônus Industrial como um incentivo para o consumidor exigir as notas fiscais das compras que efetuasse. Periodicamente, realizavam-se shows artísticos, com distribuição de prêmios como maior atrativo.
Dois grandes amigos, a quem dediquei afeição de irmãos dirigiram o BI: David Azevedo e Nilton Oliveira. Convivi com eles durante mais de 35 anos. Temperamentos diferentes, possuíam, entretanto, um forte sentimento de lealdade.
David exerceria, ao longo da minha vida pública, os mais importantes cargos na administração estadual. Introvertido, intrinsecamente bom, não fazia o menor esforço para ser gentil e atencioso. Companheiro de todos os momentos, sempre podíamos contar com seu apoio.
Nilton Oliveira era, por excelência, o jornalista. Sozinho, seria capaz de escrever todas as seções de um jornal. Política, esporte, polícia, editoriais e crônicas. Em tudo, no jornalismo, ele era o melhor. Quem primeiro reconheceu seu enorme talento foi Jorge Assunção, quando juntos, fundaram o Jornal de Hoje. Na minha opinião, só cometia um erro, o de tentar ser empresário. Era o seu ponto fraco. Quantas vezes discutimos, por isso. Insistia para que arranjasse um sócio capitalizado e ele ficasse com as responsabilidades da redação. Jamais aceitou.
Niltinho, como os seus íntimos o chamavam, era naturalmente extrovertido. Alegre, gostava de uma boa companhia e de um bom whisky. Passional, comprava as brigas de todos aqueles que admirava. Jamais ficou “em cima do muro”. Adorava uma boa luta. Envolvido num combate, chegava ao exagero de se transformar em planfetário. Ninguém tinha dúvidas de suas posições. Sempre sabíamos onde se encontrava.
David e Nilton participaram, ativamente, de todas as campanhas eleitorais que eu enfrentei. Estiveram, sempre, ao meu lado. Eles tinham a liberdade de dizerem tudo que pensavam, de bom e de ruim, sobre a minha personalidade. Perdi esses dois irmãos no curto espaço de pouco meses. O meu mundo afetivo ficou menor.
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