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Zumba
Nasceu em Santa Luzia do Norte, em 1920, encerrando seu ciclo terreno em 1996. Segundo ele mesmo, já veio ao mundo pintor. José Zumba merece um estudo mais profundo da sua personalidade. Seu semblante fechado e seu mutismo, quase permanente, escondiam, não apenas sua sensibilidade artística acurada, como também uma visão definida do contexto social.
Para o grande pintor popular, “o homem que inventou o preconceito racial é um imbecil”. Acentuava, entretanto, seu próprio preconceito. Dizia, sempre, que também pintava retratos de pessoas brancas, quando encomendavam.
Em sua sinceridade tocante, já no fim da vida, enfatizava que tudo o que aprendeu, em termos de escolas, foi em Pernambuco, no Colégio Agrícola de Garanhuns. Orgulhava-se de Alagoas. Muito fez por nossa arte pictórica, não apenas enriquecendo-a com suas telas, como fixando algumas de nossas mais lindas paisagens.
Alquebrado pelo tempo, já perto de falecer, aos 76 anos, fazia questão de asseverar não se considerar velho, “porque velhos são aqueles que não sentem a vida” . Por essa altura de sua existência, o artista tinha sofrido um rude golpe. Perdera, quase completamente, a visão e, conseqüentemente, deixara de pintar. A grande figura humana do oftalmologista Alan Barbosa realizou nele, sem custos, uma bem sucedida intervenção cirúrgica. E ele recuperou a ventura de enxergar.
Artista eminentemente popular, mesmo assim, José Zumba ultrapassou as fronteiras nacionais e hoje tem quadros seus na Argentina e em cidades de grande expressão cultural da Europa.
Convencido da importância da sua imensa presença artística em nossa comunidade, encaminhei projeto de lei, à Assembléia Legislativa, outorgando-lhe uma pensão vitalícia que tentava minorar suas angústias financeiras.
Apesar de sua permanente pobreza de bens materiais e da cegueira, que o afastou das telas, Zumba sentia-se realizado. Um pouco antes de falecer, ele considerava: “homem feliz não é aquele que tem dinheiro, que é poderoso. É o que tem certeza do que sempre quis, que segue suas próprias vontades”.
Humilde pela condição material, ele era, contudo, um verdadeiro gigante escondido no contexto artístico de sua terra e de seu tempo.
Tomando conhecimento de que se encontrava internado, no Hospital Universitário, tentei visitá-lo num fim de tarde. Já não podia receber visitas. Encontrava-se em fase terminal.
Alagoas tem obrigação, por um imperativo de justiça, de inscrever José Zumba entre aqueles filhos que tornaram seu nome maior e mais belo. Suas telas lhe perpetuarão a memória.
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