Alagoas

Especialista alerta para os impactos do excesso de tempo de tela na saúde mental

Pesquisa da Cisco e OCDE aponta o Brasil como o 2º país com maior tempo diário de tela

Assessoria 07/07/2026
Especialista alerta para os impactos do excesso de tempo de tela na saúde mental
Especialista alerta para os impactos do excesso de tempo de tela na saúde mental

O Brasil ocupa a segunda posição entre os países com maior tempo diário de tela para fins recreativos, segundo pesquisa realizada pela Cisco e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A psicóloga e professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió, Regina Souza, explica como o uso excessivo pode afetar a saúde mental e dá orientações para estabelecer um equilíbrio saudável no dia a dia.

De acordo com a docente, não existe um consenso científico sobre um número exato de horas considerado saudável para todas as pessoas. “Atualmente, a comunidade científica aponta que a qualidade do uso é tão importante quanto o tempo de exposição. Quando pensamos o quão imersa a tecnologia está em nosso cotidiano, não nos percebemos mais sem ela, seja a trabalho ou lazer. Mas deve-se observar se a utilização das telas está substituindo atividades essenciais, como sono, exercícios físicos, convivência familiar e lazer”, destaca.

Estudos sobre os impactos da utilização de telas e das redes sociais na saúde mental de adolescentes apontam associação entre o tempo excessivo de exposição e o aumento de sintomas de ansiedade e depressão, piora da qualidade do sono, redução do bem-estar psicológico, aumento do estresse, prejuízos à atenção e concentração, além de maior isolamento social em determinados grupos. “O uso contínuo aumenta a exposição a notificações, estímulos constantes e excesso de informações, mantendo o cérebro em estado de alerta quase permanente. Isso dificulta os períodos de descanso mental e favorece o aumento do estresse. Nas redes sociais, a comparação constante com vidas aparentemente perfeitas pode aumentar sentimentos de inadequação e frustração”, aponta a especialista.

O exagero pode ainda comprometer o desenvolvimento das funções executivas, responsáveis pela atenção, pelo controle dos impulsos, pelo planejamento e pela autorregulação emocional. “Em crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o uso excessivo de mídias digitais também está associado ao agravamento da desatenção, impulsividade e hiperatividade, além de maior ocorrência de ansiedade, depressão e dificuldades no funcionamento executivo”.

É essencial saber diferenciar uma utilização intensa de uma dependência tecnológica. O primeiro significa passar muitas horas conectado, mas mantendo controle sobre esse comportamento. “Já o segundo apresenta características semelhantes às observadas em outros comportamentos compulsivos, como dificuldade de reduzir o uso mesmo quando há prejuízos, ansiedade ou irritabilidade ao ficar sem o aparelho, perda de interesse por atividades presenciais, prejuízo nos estudos, trabalho ou relacionamentos e a necessidade crescente de permanecer conectado”, enfatiza a psicóloga.

O detox digital consiste em reduzir ou interromper, por um período determinado, a utilização de dispositivos eletrônicos, especialmente das redes sociais, com o objetivo de minimizar os impactos do excesso de telas na saúde mental e promover mais equilíbrio no dia a dia. Um estudo publicado no JAMA Network Open acompanhou 373 jovens adultos e observou que quem reduziu o uso das redes por apenas uma semana apresentou redução de 16,1% nos sintomas de ansiedade, 24,8% nos sintomas de depressão e 14,5% nos sintomas de insônia. “Esses resultados sugerem que pequenas pausas no uso das mídias sociais podem trazer benefícios para o bem-estar emocional, especialmente quando fazem parte de uma relação mais equilibrada e consciente com a tecnologia”, finaliza Regina Souza, professora do curso de Psicologia da UNINASSAU Maceió.