Alagoas
Abertura de empresas cresce 10% em Alagoas e supera 22 mil novos registros no ano
Empreendedores de até 35 anos responderam por quase 60% dos novos negócios registrados entre janeiro e maio
Alagoas registrou a abertura de 22.365 empresas entre janeiro e maio de 2026, um crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo intervalo, 13.547 empresas encerraram suas atividades, resultando em um saldo positivo de 8.818 empreendimentos. Os dados são do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP).
A distribuição geográfica das novas empresas mostra forte concentração em Maceió. A capital respondeu por 11.841 dos registros realizados nos cinco primeiros meses do ano, o equivalente a 53% de todas as aberturas no estado. Em seguida aparece Arapiraca, com 2.078 novos negócios, participação de 9%.
Para Artur da Silva Figueiredo, assessor de Ciclo de Crédito da Central Sicredi Nordeste, os resultados observados em Alagoas demonstram uma resiliência do empreendedorismo local, mesmo em um período marcado pela manutenção de juros elevados no país.
“Os dados revelam que o empreendedor continua identificando oportunidades de mercado e buscando alternativas para geração de renda e crescimento dos negócios. Setores ligados ao consumo, aos serviços e às atividades de menor estrutura inicial costumam manter uma dinâmica relevante de abertura de empresas, e é isso que tem sido verificado no estado”, afirma.
Segundo ele, o avanço também reflete transformações observadas nos últimos anos, como a digitalização de pequenos negócios, a ampliação do acesso a ferramentas de gestão, o crescimento do comércio eletrônico e a busca por modelos de trabalho mais independentes. “Há uma combinação de fatores que contribui para esse movimento. O empreendedor brasileiro tem demonstrado capacidade de adaptação e busca constante por novas oportunidades”, acrescenta.
Microempresas e jovens lideram novas aberturas
Outro dado que chama atenção é o protagonismo das microempresas. Das 22.365 empresas abertas no período, 21.105 pertencem à categoria de microempresa, o equivalente a 94% do total. O indicador reforça o impulso dos pequenos empreendimentos na dinâmica econômica local e da geração de empregos.
O perfil dos novos empresários também revela uma forte presença de jovens. Entre janeiro e maio, empreendedores de até 35 anos responderam por quase 60% das novas empresas abertas em Alagoas. Na divisão por gênero, os homens representaram 62% dos empreendedores responsáveis pelas novas empresas, enquanto as mulheres responderam por 38% das aberturas.
Para Artur Figueiredo, esse perfil ajuda a compreender quais segmentos costumam demandar maior apoio financeiro para consolidar e expandir suas atividades. Segundo ele, jovens empreendedores e microempresários geralmente apresentam necessidades específicas relacionadas a capital de giro, aquisição de equipamentos, investimentos em tecnologia e estruturação da gestão.
Essa demanda por recursos também aparece nos indicadores de crédito destinados às empresas. Os números do Sicredi em Alagoas refletem esse movimento. A carteira de crédito destinada a MEIs, micro e pequenos empreendedores no estado alcançou R$ 117,3 milhões em abril de 2026. O volume representa um crescimento de 36% em relação ao registrado no mesmo período de 2024.
“Quando observamos uma predominância de microempresas e uma participação expressiva de empreendedores mais jovens, fica evidente a importância de instrumentos financeiros adequados a essa realidade. O crédito tem papel fundamental não apenas para a abertura dos negócios, mas principalmente para garantir sua sustentabilidade e capacidade de crescimento ao longo do tempo”, explica.
Atualmente, Alagoas possui 221.021 empresas ativas. Entre as atividades econômicas mais presentes no estado estão as lojas de roupas e acessórios, os minimercados e mercearias e os serviços de beleza, como salões de cabeleireiro, manicure e pedicure. Juntos, esses segmentos ajudam a desenhar o perfil de um empreendedorismo fortemente ligado ao comércio e aos serviços, setores que continuam concentrando boa parte das novas iniciativas empresariais abertas pelos alagoanos.
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