Alagoas
Nutricionista do HGE orienta como evitar intoxicação alimentar e alerta para riscos da má conservação dos alimentos
Especialista do Hospital Geral do Estado destaca cuidados essenciais com higiene e armazenamento para prevenir doenças transmitidas por alimentos, especialmente durante o calor.
A intoxicação alimentar permanece como uma das principais causas de atendimento nas unidades hospitalares, especialmente durante períodos de altas temperaturas, quando alimentos perecíveis tornam-se mais vulneráveis à proliferação de bactérias, vírus e fungos.
Carolina Wanderley, nutricionista do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, esclarece que a intoxicação alimentar resulta do consumo de água ou alimentos contaminados, podendo provocar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, febre, dores abdominais e desidratação. Em casos mais graves, pode ser necessária a internação hospitalar.
“A higiene e o armazenamento adequados são fundamentais para evitar a contaminação. Alimentos mal acondicionados ou manipulados de forma inadequada favorecem a proliferação de microrganismos como Salmonella, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. A temperatura inadequada é um dos principais fatores de risco. Alimentos perecíveis não devem permanecer fora da refrigeração por tempo prolongado, principalmente carnes, leite, ovos e refeições prontas”, orienta a nutricionista.
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 600 milhões de pessoas são afetadas anualmente por doenças transmitidas por alimentos em todo o mundo. No Brasil, milhões de casos de gastroenterites e infecções alimentares são registrados todos os anos, sobretudo em períodos de calor intenso. Carolina alerta que a contaminação pode ocorrer em qualquer etapa da cadeia alimentar, desde a produção até o preparo doméstico.
“Estudos do Ministério da Saúde indicam que grande parte dos casos ocorre dentro das residências, devido a falhas de higiene e conservação inadequada dos alimentos. Por isso, recomendo lavar as mãos antes de preparar ou consumir alimentos; higienizar frutas, verduras e legumes com solução adequada, como o hipoclorito de sódio; evitar consumir carnes, ovos e frutos do mar crus ou mal cozidos; manter os alimentos refrigerados em temperaturas adequadas; não consumir produtos com cheiro, cor ou aparência alterados; evitar recongelar alimentos já descongelados; e sempre observar a validade e a integridade das embalagens”, orienta Wanderley.
A nutricionista do HGE também destaca a importância de evitar a chamada “zona de perigo”, faixa de temperatura entre 5°C e 60°C, considerada ideal para a multiplicação de bactérias. Quanto mais tempo o alimento permanece nessa faixa, maior o risco de contaminação.
“Os sintomas geralmente surgem poucas horas após o consumo do alimento contaminado, mas podem variar conforme o agente causador. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações. Em situações mais severas, a intoxicação pode provocar desidratação intensa, insuficiência renal e até alterações neurológicas”, alerta a profissional de saúde.
Em caso de sintomas persistentes, febre alta, sangue nas fezes ou sinais de desidratação, a recomendação é procurar imediatamente atendimento médico. Em Alagoas, os pacientes podem buscar assistência nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), unidades mistas e hospitais regionais.
“Entretanto, o ideal é sempre reforçar os cuidados, principalmente em períodos festivos, viagens e nos dias de calor intenso. Se optar por comprar alimentos de ambulantes, observe quando foram preparados, como estão acondicionados e se há risco de contato com insetos. Ao menor sinal de risco, evite o consumo”, finaliza a servidora do HGE.
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