Alagoas
Ufal conquista 39 bolsas de produtividade e fortalece ciência alagoana
Resultado preliminar aponta 22 novas concessões e 17 manutenções para pesquisadores da Universidade
A melhor nota nacional entre os contemplados de Bolsa Produtividade na categoria PQ-C em Engenharia de Produção e Transportes vem de um campus universitário do interior do Nordeste. Pela primeira vez esse feito chegou ao Campus do Sertão da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) por meio do professor Jonhatan Magno Norte da Silva, aprovado na chamada do CNPq que é uma das principais formas de reconhecimento à atuação científica no país.
Pesquisador líder do Group of Ergonomics and New Tools (Gent/Ufal), com mais de 80 artigos publicados em revistas científicas, e revisor de pelo menos 30 periódicos das áreas exatas, humanas, biológicas e multidisciplinares. O reconhecimento pela contribuição na ciência descobriu a força da Ufal em Delmiro Gouveia.
“Recebo com muita gratidão e responsabilidade. Representa um importante reconhecimento ao trabalho científico que venho desenvolvendo nos últimos anos, especialmente na interface entre ergonomia, sustentabilidade, psicometria e ciência de dados. É também um resultado que reforça a relevância da pesquisa produzida nas universidades públicas brasileiras e o potencial da ciência desenvolvida no sertão alagoano”, destacou Jonhatan.
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) teve 39 bolsas aprovadas no resultado preliminar da Chamada CNPq nº 23/2025, voltada às Bolsas de Produtividade. O desempenho confirma a relevância da produção científica desenvolvida na instituição e representa um reconhecimento nacional à trajetória de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.
“Isso prova que excelência acadêmica não tem endereço fixo, ela acontece onde há compromisso, competência e apoio institucional. O Campus do Sertão não apenas entrou para a lista, ele está no topo dela”, comemorou o diretor do Campus do Sertão, Thiago Trindade.
Neste ciclo, a Ufal submeteu 73 propostas, das quais 39 foram aprovadas. Desse total, 22 correspondem a novas bolsas, como a conquistada pelo professor Jonhatan, e 17 são bolsas mantidas. Entre os contemplados na lista preliminar, aparecem pesquisadores de áreas como Ciência da Informação, Agronomia, Aquicultura, Bioquímica, Ciências Ambientais, Ciência da Computação, Educação, Engenharias, Física, Farmácia, Linguística, Matemática, Psicologia, Serviço Social, Química, Nutrição e Zoologia.
A avaliação considera critérios gerais e específicos definidos pelo CNPq e pelos Comitês de Assessoramento de cada área. Entre os aspectos analisados estão mérito do projeto, produção científica, formação de recursos humanos, contribuição para inovação, liderança acadêmica, inserção nacional e internacional e impacto da trajetória do pesquisador.
A chamada adota a atual nomenclatura dos níveis A, B e C. O nível C corresponde à categoria de entrada, o nível B à fase de desenvolvimento e o nível A à atuação consolidada. Para a avaliação, o CNPq considera, em linhas gerais, períodos distintos de produtividade: cinco anos para o nível C e dez anos para os níveis A, B e Sênior, respeitando as especificidades de cada área.
Confira aqui a lista completa do resultado preliminar.
Participação feminina ainda é desafio entre as bolsas aprovadas
Entre as cinco mulheres da Ufal que conquistaram a Bolsa Produtividade do CNPq pela primeira vez está a professora Ana Catarina Rezende Leite, do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB). Ela é doutora em Biologia Funcional e Molecular e líder do Laboratório de Bioenergética (Labio), que desenvolve pesquisas voltadas aos mecanismos do estresse oxidativo e da bioenergética mitocondrial, especialmente em patologias relacionadas
Ana Catarina acredita que essa conquista corrobora o do esforço do seu grupo, “que acredita e abraça a pesquisa e a ciência como pilar fundamental do desenvolvimento do Estado e do país”.
A docente do IQB entrou para o percentual de 25,6% das pesquisadoras mulheres que representam a Ufal no total de bolsas concedidas. “Sou muito grata por ser hoje a única mulher na área de Bioquímica PQ na Ufal. Continuar lutando por uma maior equidade deve ser uma bandeira de todas as pessoas que sabem a importância da ciência em nosso país”, reforçou.
De acordo com um levantamento feito pela Pró-reitoria de Pesquisa de Pós-graduação da Ufal (Propep), das 39 bolsas aprovadas, 29 foram conquistadas por homens e dez por mulheres. Entre as novas bolsas, foram 17 para homens e cinco para mulheres, já nas renovações, apenas cinco pesquisadoras foram contempladas.
O dado merece atenção porque, no cenário nacional da chamada, as mulheres representam 42% dos novos bolsistas, mais do que o percentual global, que é de 37%. Na Ufal, a presença feminina ficou abaixo desses dois indicadores nacionais, trazendo ao debate a importância de políticas institucionais de incentivo à equidade de gênero na pesquisa de alto nível.
“Na Ufal, o enfrentamento a essas assimetrias tem ganhado força nos últimos anos por meio de ações estruturantes da Propep e de parcerias estratégicas, focadas em mudar a realidade desde a base até o topo”, destacou a coordenadora de Pesquisa, Magna Suzana Moreira, que também é uma das pesquisadoras que conquistaram a renovação da Bolsa Produtividade.
Ela conta que a proposta é criar condições para que mais mulheres ingressem, permaneçam e avancem na pesquisa. Algumas iniciativas estão em prática e a construção da Política de Igualdade, Equidade e Diversidade de Gênero da Ufal também está em andamento, assim como ações de reconhecimento, como o Prêmio Meninas e Mulheres na Ciência, coordenado pela Propep.
“Ainda há um longo caminho para que esse esforço se reflita proporcionalmente nas bolsas de produtividade do CNPq, mas os alicerces internos estão sendo construídos para romper o ‘efeito tesoura’”, concluiu.
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