Alagoas

Sesau orienta população sobre riscos, prevenção e tratamento da doença de Chagas

Ruana Padilha / Ascom Sesau 15/04/2026
Sesau orienta população sobre riscos, prevenção e tratamento da doença de Chagas
É recomendado não residir em casas de taipa, rebocar as paredes, vedar frestas, utilizar telas em portas e janelas - Foto: Carla Cleto e Ruana Padilha / Ascom Sesau

No mês de combate à doença de Chagas, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) orienta sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enfermidade. A doença pode passar anos de forma silenciosa, sem apresentar sintomas, no caso da forma crônica.

Transmitida principalmente pelo inseto conhecido como barbeiro, a doença de Chagas ocorre quando o vetor, ao picar uma pessoa, elimina fezes contaminadas com o protozoário Trypanosoma cruzi. Elas penetram no organismo pela pele ou mucosas, infectando uma pessoa ferida.

 

A técnica de Zoonoses da Sesau, enfermeira Monique Calheiros, ressalta que, em caso de qualquer suspeita, o caso deve ser comunicado, imediatamente, ao serviço de vigilância em saúde do município de residência do paciente. “Com isso, os técnicos e autoridades de saúde pública irão atuar para o diagnóstico da doença de Chagas”, ressalta.

Além da transmissão vetorial, Monique Calheiros enfatiza que a doença também pode ser contraída pela ingestão de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana mal higienizados. Ela também pode ocorrer pela transmissão congênita, da mãe para o bebê, durante a gestação ou parto, por transplante de órgãos infectados, transfusão de sangue contaminado e, mais recentemente, por acidentes laboratoriais.

Para evitar a doença, uma enfermeira da Sesau orienta que é necessário manter casas e quintais limpas, evitando o acúmulo de entulhos, madeira, telhas e materiais onde o inseto possa se esconder. Também não é recomendado residir em casas de taipa, rebocar as paredes, vedar frestas, usar telas em portas e janelas e manter galinheiros e currais afastados das residências. 

 

"Ambientes limpos e organizados, construídos significativamente sobre os locais de abrigo do barbeiro. Caso o inseto seja encontrado, a recomendação é não esmagá-lo, mas recoloque-o com cuidado e encaminhá-lo ao Posto de Informação de Triatomíneos mais próximo. Para mais informações é necessário procurar a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de residência", instruiu Monique Calheiros.

 

sintomas

Os sintomas da doença de Chagas variam de acordo com a fase da infecção. Na fase aguda, os pacientes podem apresentar febre prolongada, dor de cabeça, dores no corpo, além de sinais característicos como aparecimento em um dos olhos, conhecido como sinal de Romaña, e ferida no local da picada do inseto. Já na fase crônica, que pode surgir anos após a infecção, muitos pacientes permanecem sem sintomas, enquanto outros desenvolvem complicações cardíacas e digestivas, como insuficiência cardíaca.

De acordo com Monique Calheiros, a identificação precoce é fundamental para reduzir consequências futuras. Na fase aguda, a identificação é feita por meio da busca direta do parasita no sangue. Já na fase crônica, são realizados exames sorológicos para detecção de anticorpos. 

 

"Como muitos sintomas podem ser percebidos, é essencial que a avaliação clínica esteja associada ao histórico epidemiológico do paciente. Para isso são considerados alguns fatores, como presença de barbeiros na residência ou histórico familiar da doença", explica a enfermeira da Sesau.


Tratamento

O tratamento da Doença de Chagas é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e definido conforme avaliação médica individualizada, considerando a fase da doença e as condições clínicas de cada paciente. “A terapêutica pode incluir o uso de medicamentos antiparasitários, como o Benznidazol, além de acompanhamento contínuo para monitoramento e manejo de possíveis complicações cardíacas ou digestivas associadas à enfermidade”, informa.

Em Alagoas, a doença segue em vigilância permanente. Segundo dados do Programa Estadual de Controle de Zoonoses, em 2025 não houve confirmação de casos agudos, mas foram registrados 56 casos confirmados da forma crônica. A maioria dos pacientes apresenta comprometimento cardíaco, com maior incidência entre pessoas com 60 anos ou mais.

Apesar da ausência de casos agudos confirmados no último ano, o Estado permanece em alerta devido à possibilidade de subnotificação, à presença do vetor em diversos municípios e ao risco contínuo de transmissão. "As ações de vigilância epidemiológica e entomológica são contínuas em Alagoas, com visitas domiciliares, monitoramento do vetor, investigação de casos suspeitos e capacitação permanente dos municípios. O controle da doença depende também da participação ativa da população", apontou a técnica de Zoonoses da Sesau, Monique Calheiros.