Alagoas

Prova técnica da Polícia Científica é decisiva para condenação de mulher por tentar matar enteado

Madrasta foi sentenciada a mais de 17 anos de prisão após laudo pericial comprovar tentativa de homicídio contra criança de seis anos.

Aarão José / Ascom Polícia Científica 26/02/2026
Prova técnica da Polícia Científica é decisiva para condenação de mulher por tentar matar enteado
Laudo da Polícia Científica foi decisivo para condenação de madrasta por tentativa de homicídio em Maceió.

Em um julgamento marcado pelo peso das evidências científicas, a madrasta acusada de tentar matar o enteado, de apenas seis anos, foi condenada, nesta quarta-feira (25), a 17 anos, dois meses e sete dias de prisão em regime fechado. A sentença, proferida no Fórum do Barro Duro, em Maceió, teve como base o entendimento de que o crime foi premeditado e executado com frieza, motivado por vingança.

Laudo pericial foi fundamental

Um dos momentos mais relevantes do júri popular foi a apresentação do laudo de lesão corporal, elaborado por uma perita médica-legista da Polícia Científica de Alagoas. A representante do Ministério Público exibiu o documento e leu trechos para esclarecer detalhes técnicos do laudo, sendo fundamental para que os jurados compreendessem a dinâmica dos fatos por meio de provas materiais irrefutáveis.

No laudo, a médica legista do Instituto Médico Legal Estácio de Lima detalhou as lesões sofridas pela criança, destacando a ocorrência de um pneumotórax, o que caracterizou perigo iminente de vida. O ponto crucial da análise técnica foi a ausência de fraturas nos membros superiores da vítima.

A médica-legista explicou que essa característica é típica de quedas em que a vítima está desacordada ou dormindo, momento em que o corpo apresenta maior flacidez, distribuindo o impacto de forma diferente de um indivíduo em alerta. A conclusão técnica apresentada foi clara: a criança não esboçou reação de defesa no momento da queda porque estava dormindo quando foi arremessada da janela do quarto andar.

Reconhecimento do Ministério Público

A precisão do trabalho pericial foi amplamente reconhecida pelo Ministério Público Estadual (MPE). Durante a sustentação, a promotora de Justiça Adilza Freitas destacou que a condenação não se baseava apenas em testemunhos, mas na solidez da prova técnica produzida pela Polícia Científica.

"Não é apenas a acusação que afirma; é a medicina, é a perícia, é a ciência", enfatizou a promotora. Em um momento de destaque, o Ministério Público fez um reconhecimento formal à capacidade técnica da instituição. "Faço aqui um reconhecimento da capacidade técnica da nossa Polícia Científica. A prova é técnica, fruto de uma análise minuciosa da médica-legista".

Decisão judicial

Ao proferir a sentença, o magistrado reforçou a gravidade do crime, destacando o uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima — já que o menino dormia no momento do crime — e o impacto duradouro na vida da criança, que teve a memória afetada pelo traumatismo craniano sofrido.