Alagoas
Hospital de Emergência do Agreste prepara novo edital do Programa Preparando a Volta para Casa
Repórter:
Repórter Fotográfico: Tony Medeiros / Ascom HEA
Profissionais do Hospital de Emergência do Agreste (HGE), em Arapiraca, estão concluindo os ajustes para o lançamento de um novo edital de seleção de estagiários do Programa Preparando a Volta para Casa (PPVC). A previsão é que o chamamento público seja divulgado em março, com duas vagas destinadas a estudantes de fisioterapia, enfermagem, serviço social, terapia ocupacional, fonoaudiologia, medicina, nutrição e psicologia.
A participação é voluntária e direcionada a acadêmicos vinculados a instituições de ensino credenciadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A nova seleção ocorre após o ciclo de atuação dos primeiros estagiários escolhidos por edital, que participaram diretamente de avanços recentes do PPVC.
O PPVC nasceu como um projeto de extensão do Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), desenvolvido em parceria com profissionais do HEA. Ao longo dos anos, o projeto foi reconhecido como programa na instituição hospitalar.
São quase 10 anos de atuação voltados ao treinamento de familiares e pacientes vítimas de trauma e de Acidente Vascular Cerebral (AVC), que deixam a unidade com sequelas e precisam de orientações sobre como conduzir o cuidado no ambiente domiciliar após a alta hospitalar.
Reconhecimento estadual
Nos últimos meses, o programa conquistou o primeiro lugar na IX Mostra das Ações da Política Nacional de Humanização (PNH) em Alagoas, iniciativa promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O resultado foi apresentado com a participação da equipe técnica e dos estagiários, que contribuíram na sistematização do trabalho desenvolvido pelo HEA.
Coordenador do PPVC, o fisioterapeuta Marcos Protázio avalia que a experiência consolidou um modelo de atuação construído de forma coletiva. “Houve aprendizado de todos os lados. Os estagiários chegaram com disposição para entender o funcionamento do programa e acabaram contribuindo também com novas formas de organizar o serviço. Esse movimento trouxe resultados concretos para o cuidado com pacientes e familiares”, afirmou.
Durante o período de atuação, os estagiários participaram da criação de instrumentos voltados à organização do fluxo interno, ao aprimoramento das orientações oferecidas aos cuidadores e ao acompanhamento do próprio desempenho do programa.
Entre as contribuições está uma nova cartilha educativa desenvolvida pelos estudantes, com linguagem simples, imagens e vídeos acessados por QR Code. O material foi pensado como suporte contínuo para cuidadores de pacientes com sequelas, sobretudo após a alta hospitalar, quando as orientações precisam ser retomadas no ambiente domiciliar.
Participaram da construção da cartilha e das ações do PPVC:
- Kaylane Soares Silva – Enfermagem
- Milena Vitória Barbosa da Silva – Nutrição
- Mirelly Jordana Veiga Silva – Fisioterapia
- Nathália Raissa de Albuquerque Barros – Enfermagem
- Simone Silva Ramalho – Nutrição
- Saulo Rodrigo Silva Santos – Psicologia
Outro recurso desenvolvido foi o formulário digital de solicitação de avaliação do PPVC, também acessado por QR Code. A ferramenta permite que profissionais da assistência acionem o programa ainda durante a internação ao identificar pacientes com sequelas e necessidade de orientação específica, garantindo maior rapidez no acompanhamento.
Formação que transforma
A estudante de Enfermagem, Kaylane Soares, do 9º período da Faculdade Maurício de Nassau, em Arapiraca, entrou no PPVC movida pela curiosidade de entender como o cuidado continuava depois da alta hospitalar. O que encontrou foi uma experiência que ultrapassou o campo técnico.
Dentro do programa, passou a participar das discussões multiprofissionais e a observar como decisões eram construídas de forma coletiva, sempre com foco no paciente e na família. A vivência levou à participação na criação da cartilha educativa, pensada a partir da escuta direta dos cuidadores, muitos deles com dificuldade de leitura.
“Percebemos que, depois do treinamento, muita informação podia ser esquecida após o paciente voltar para casa e isso deixaria os familiares aflitos. A cartilha nasceu dessa necessidade de apoiar o cuidado no dia a dia, de forma simples e acessível”, relatou.
Kaylane também integrou a equipe que apresentou o trabalho do PPVC na mostra estadual que resultou na premiação. “Foi um divisor na minha formação. Saio com uma visão diferente do cuidado e da responsabilidade que temos quando o paciente deixa o hospital”, disse.
Aprendizado além da técnica
O estudante Saulo Rodrigo, do 10º período de Psicologia da Uninassau Arapiraca, descreve a passagem pelo PPVC como um processo de amadurecimento profissional e pessoal. Ao lidar com pacientes e familiares em momentos de transição, ele encontrou um campo de atuação que exigia escuta, sensibilidade e capacidade de articulação com outras áreas.
“A experiência trouxe desafios, mas também ampliou meu entendimento sobre o cuidado. A troca com a equipe e a participação na construção das ferramentas mostraram como teoria e prática caminham juntas”, afirmou.
Saulo também participou da apresentação que levou o programa ao reconhecimento estadual. “Ver o trabalho sendo reconhecido consolidou a dedicação de todos. Foi uma construção coletiva que impactou nossa formação e a forma como enxergamos o papel da saúde na vida das pessoas”, completou.
Expectativas para a nova seleção
Integrante da equipe do PPVC e coordenador do Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), o assistente social Rodrigo Barbosa destaca o envolvimento dos estagiários que encerram o ciclo.
“Eles participaram com responsabilidade e deixaram contribuições importantes. A expectativa é que os novos selecionados cheguem com esse mesmo interesse em aprender e colaborar com o desenvolvimento do programa”, salientou.
A diretora-geral do Hospital de Emergência do Agreste, a fonoaudióloga Bárbara Albuquerque, fez parte da equipe do PPVC. “O Programa Preparando a Volta para Casa foi construído na prática, no contato com pacientes e familiares que saem do hospital levando dúvidas, inseguranças e responsabilidades. Hoje, vê-lo consolidado como parte da rotina do hospital é motivo de orgulho para todos que participaram dessa trajetória”, afirmou.
Segundo ela, o programa cumpre um papel que ultrapassa a assistência. “Há um cuidado com as famílias, com a continuidade do tratamento e também com a formação dos estudantes que passam por aqui. Muitos chegam buscando experiência e saem com outra percepção sobre o que significa cuidar”, disse.
Bárbara também destaca o ambiente formativo presente na instituição hospitalar. “O hospital é um espaço vivo de aprendizado. A presença dos estagiários contribui com o serviço e, ao mesmo tempo, permite que novos profissionais sejam formados dentro de uma lógica de responsabilidade, escuta e compromisso com o paciente”, concluiu.
Mais lidas
-
1FENÔMENO NAS REDES
Procuradas 'vivas e fofas': zoológicos russos enfrentam filas para adquirir capivaras em meio à popularidade
-
2TRAGÉDIA
Vídeos de detetive flagrando traição foram o estopim para secretário matar os próprios filhos em Itumbiara
-
3TECNOLOGIA AERONÁUTICA
Empresa russa Rostec apresenta novo motor a pistão para aviação leve
-
4JUSTIÇA
Juíza natural de Palmeira dos Índios é convocada para atuar por seis meses no STJ em Brasília
-
5FUTEBOL EUROPEU
Benfica afirma que Prestianni é alvo de "campanha de difamação" após acusação de racismo feita por Vini Jr.