Alagoas
“Não pode existir democracia com imprensa pela metade”, diz Elias Ferreira ao comentar repúdio da ANJ à censura contra a Tribuna do Sertão
O radialista e jornalista Elias Ferreira fez uma defesa contundente da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão durante o programa matinal da CBN Maceió, nesta sexta-feira 13 de fevereiro de 2026, ao comentar a nota de repúdio divulgada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) contra a decisão judicial que determinou a retirada de conteúdos do portal e das redes sociais da Tribuna do Sertão, de Palmeira dos Índios.
Ao abordar o caso, Elias foi direto: não admite “censura prévia” nem “censura pós-publicação”. Na visão dele, a Justiça deve atuar para apurar eventuais danos e garantir reparação, quando comprovados — e não para podar informação antes ou depois de ser publicada.
A nota da ANJ, citada no programa, afirma que a reportagem retirada tratava dos investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (IPREV) em ativos do Banco Master, tema classificado como de interesse público, sustentado “com base em documentos”. A entidade considera a ordem judicial uma forma de censura e diz que a medida restringe o direito da sociedade de ser informada sobre a gestão de recursos públicos, manifestando expectativa de revisão da decisão.
“Constituição rima com liberdade”
No comentário, Elias reforçou que a Constituição não combina com atos de censura, mas com liberdade de expressão e responsabilidade pelo que se publica. Ele argumentou que a democracia não se sustenta quando a imprensa é empurrada para um funcionamento “pela metade” — e alertou para o risco institucional de decisões que podem virar jurisprudência e moldar, na prática, um “perfil” de tribunal que abre espaço para silenciamentos.
Efeito dominó e alerta para “tempos sombrios”
Outro ponto destacado foi o temor de que medidas desse tipo se repitam, atingindo outros veículos e consolidando um padrão de retirada de conteúdo jornalístico por decisão judicial, inclusive em temas que envolvem interesse coletivo e dinheiro público.
Elias também criticou a ilusão de que “uma canetada” seria capaz de silenciar redes sociais e o debate público, defendendo maior profundidade e cuidado em decisões que impactem diretamente o direito à informação — para não se flertar com a volta de “tempos sombrios”.
O que diz a ANJ sobre o caso
Conforme a nota reproduzida pela Tribuna do Sertão, a ANJ repudia a decisão do juiz Erick Costa de Oliveira Filho, da 10ª Vara Cível de Maceió, que determinou a retirada de reportagem sobre o caso IPREV/Banco Master. A entidade afirma que a medida é incompatível com a Constituição e com a livre atuação da imprensa e pede revisão.
A Tribuna do Sertão informou que cumpriu a ordem para evitar sanções imediatas, mas seguirá adotando medidas cabíveis para revertê-la e defender o direito coletivo à informação.
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