Alagoas

Redemoinhos de poeira chamam atenção em Alagoas e reforçam padrão climático do período seco

Fenômeno atmosférico registrado em cidades do interior e na capital é típico da estação seca e não oferece riscos significativos à população.

Cauê Rinaldo / Ascom Semarh 06/02/2026
Redemoinhos de poeira chamam atenção em Alagoas e reforçam padrão climático do período seco
Redemoinho de poeira registrado durante período seco evidencia fenômeno típico do clima alagoano.

Registros de redemoinhos de poeira em diferentes regiões de Alagoas têm chamado a atenção nos últimos dias. Um dos episódios ocorreu durante um evento de motocross no município de Dois Riachos, no Sertão, enquanto outro foi flagrado por moradores na região da Cidade Universitária, em Maceió. Apesar do susto, especialistas esclarecem que o fenômeno é atmosférico, de baixa intensidade, e típico do período mais quente e seco do ano.

Conhecido popularmente como redemoinho de poeira, esse fenômeno se forma em condições específicas de calor intenso e baixa umidade relativa do ar. Em dias muito quentes, o solo aquecido faz com que o ar próximo à superfície suba rapidamente. Esse movimento ascendente pode girar ao encontrar diferenças de pressão ou obstáculos no terreno, formando colunas de vento que levantam poeira, areia e pequenos detritos.

Essas ocorrências são mais comuns em áreas abertas, com solo exposto e pouca vegetação, como pistas de terra, campos e regiões do interior, e diferem significativamente dos tornados. Enquanto os tornados estão associados a nuvens de tempestade e sistemas meteorológicos severos, os redemoinhos surgem em céu aberto, geralmente sem nuvens, têm curta duração e menor intensidade, dissipando-se em poucos minutos.

De acordo com Fernanda Liz, gerente de Hidrometeorologia da Semarh, as ocorrências estão dentro do comportamento climático esperado para esta época do ano.

“Esse tipo de redemoinho é um fenômeno atmosférico natural, comum em dias quentes e secos, quando o solo está muito aquecido e a umidade do ar está baixa. O ar quente sobe e começa a girar, formando essas colunas de poeira. Apesar de chamar atenção, geralmente é rápido, de baixa intensidade e diferente de um tornado”, explicou a especialista.

Fernanda Liz destaca que o período de estiagem no interior do estado favorece a formação desses redemoinhos, especialmente em áreas com pouca cobertura vegetal. Embora possam causar susto momentâneo, principalmente em eventos ao ar livre, os redemoinhos de poeira não representam, em geral, risco significativo à população, sendo recomendável apenas evitar aproximação direta devido à projeção de partículas e pequenos objetos.

Fenômenos como esses reforçam a influência direta das condições climáticas do semiárido alagoano sobre as paisagens, atividades humanas e dinâmicas ambientais do estado. Durante os meses mais quentes e secos do ano, ocorrências atmosféricas dessa natureza tornam-se mais frequentes, evidenciando a importância do monitoramento hidrometeorológico e da compreensão dos padrões sazonais que caracterizam o clima da região.