Alagoas
Do desabafo de Boechat ao recado de Cláudio André: quando a indignação vira defesa do cidadão
Dois vídeos, duas épocas, uma mesma mensagem: há momentos em que o comunicador não consegue — e nem deve — fingir normalidade diante do que considera absurdo. A montagem que circula nas redes junta um episódio antigo, com o saudoso jornalista Ricardo Boechat reagindo ao pastor Silas Malafaia, e um recorte atual em que Cláudio André dispara contra o ex-prefeito e secretário de Estado Júlio César. Em comum, não está apenas a frase de efeito, mas a indignação — aquela reação humana, espontânea, que surge quando o cidadão se sente desrespeitado e a política parece caminhar na contramão do bom senso.
O vídeo funciona como um retrato do que muita gente sente, mas nem sempre consegue dizer em voz alta: um cansaço coletivo com práticas e discursos que soam como “anacronismo político” — atitudes de poder que parecem ter sido herdadas de um tempo em que o povo não tinha vez, não tinha voz, e era tratado como massa de manobra.
Quando o comunicador deixa de ser “neutro” e vira escudo
Há comunicadores que optam pela linha fria, distante, de comentar sem se envolver. Outros, como Boechat e Cláudio André, em momentos específicos, escolhem o caminho oposto: se posicionam com contundência. Não por vaidade, mas por entender que, diante de determinadas agressões morais, o silêncio vira cumplicidade.
Nesses instantes, a fala deixa de ser só opinião e passa a cumprir outra função: dar nome ao abuso. É quando a indignação não é espetáculo — é reação de quem enxerga que o poder, do jeito como está sendo exercido, fere, humilha e diminui o cidadão.
A frase é dura, mas o sentimento é legítimo
A expressão usada é forte, é verdade, e naturalmente provoca reações. Mas o que mobiliza o público não é a palavra em si — é o sentimento que ela carrega: a recusa em aceitar o que soa como arrogância, manipulação ou chantagem travestida de autoridade.
A montagenzinha viraliza porque aponta algo que o povo reconhece na pele: o momento em que a política deixa de servir e passa a oprimir, seja pelo deboche, pela mentira repetida, pela superioridade artificial ou pela tentativa de impor “verdades” de cima para baixo.
Um grito contra o atraso
Ao amarrar passado e presente, o vídeo produz uma leitura quase pedagógica: certas práticas mudam de roupa, mas mantêm o mesmo vício — e é isso que faz tanta gente dizer que o Brasil ainda convive com um tipo de política atrasada, que trata o eleitor como alguém a ser enganado.
E quando um comunicador explode, o que aparece não é apenas “nervosismo”. Aparece um recado: chega. Chega de naturalizar o absurdo. Chega de tratar o cidadão como inferior.
Por que isso repercute?
Porque, goste-se ou não do estilo, existe uma verdade simples: o povo se reconhece em quem reage. Em quem não faz pose. Em quem não se esconde atrás de diplomacia seletiva. Em quem transforma indignação em palavra — e, por tabela, em coragem pública.
No fim, o vídeo não é sobre uma frase. É sobre um sentimento coletivo: a vontade de ver alguém dizer, sem rodeios, que há limites — e que nenhum poder, seja religioso, político ou midiático, tem o direito de humilhar quem sustenta o país.
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