Alagoas

HGE inaugura a primeira UTI exclusiva para adolescentes em Alagoas com 10 leitos

Thallysson Alves / Ascom HGE 03/02/2026
HGE inaugura a primeira UTI exclusiva para adolescentes em Alagoas com 10 leitos
Ao todo, são 10 leitos para adolescentes entre 13 e 17 anos - Foto: Thallysson Alves / Ascom HGE

De forma pioneira, o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, inaugurou a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) voltada exclusivamente para adolescentes em Alagoas, resultado da decisão da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de melhor assistir a essa parcela da população que também precisa de atenção especializada. 

 

Ao todo, são 10 leitos para adolescentes entre 13 e 17 anos. Os atendimentos já iniciaram com 10 médicos exclusivos: sete clínicos e três pediatras especializados; além das equipes de Enfermagem (técnicos e graduados), Nutrição, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia, Serviço Social, Psicologia e o suporte de farmacêuticos e outras especialidades médicas. 

 

“Uma conquista baseada no nosso entendimento de que os adolescentes representam uma faixa etária com transição fisiológica e comportamental que difere tanto de crianças pequenas quanto de adultos. O objetivo é responder às necessidades clínicas, psicológicas, de desenvolvimento e de segurança do paciente adolescente que nem sempre são atendidas adequadamente em UTIs pediátricas ou adultas”, justificou o diretor médico, Miquéias Damasceno. 

 

As causas prevalentes de admissão em cuidados intensivos para adolescentes englobam tanto patologias típicas da infância (como as doenças respiratórias) quanto condições de adultos (como as intoxicações e os traumas complexos). Esse perfil heterogêneo justifica um modelo de cuidados que combine expertise pediátrica e adultos, com atenção específica às características das doenças e comportamentos prevalentes nessa idade. 

 

“Estudos epidemiológicos no Brasil indicam que o trauma é a principal causa de internação em UTIs de adolescentes, seguido por intoxicação por drogas ou álcool e outras causas como disfunção respiratória ou neurológica. Os adolescentes criticamente doentes apresentam necessidades que variam com o desenvolvimento físico e emocional, envolvem comportamentos de risco, aspectos psicossociais e de desenvolvimento”, acrescentou o diretor médico. 

 

Edson Victor Santos Firmino, de 17 anos, é um dos beneficiados com a novidade na maior unidade de urgência e emergência de média e alta complexidade do Governo de Alagoas. Ele sofreu uma queda com a bicicleta já parada e atingiu violentamente a sua cabeça no chão. O traumatismo cranioencefálico causou rebaixamento no nível de consciência e convulsão; precisando ser levado inicialmente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Chã da Jaqueira. 


“Eu estava pedalando quando senti uma tontura e parei a bicicleta. Nisso, eu perdi as forças e caí. A partir daí, eu só sei o que as pessoas me falaram: chamaram a minha mãe, que me levou para a UPA e lá tive até uma parada cardiorrespiratória. O Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] me trouxe para o HGE, eu fui acolhido na Área Vermelha e depois me trouxeram para a UTI Adolescente. Eu nem sabia que existia um lugar assim”, relatou o paciente. 

 

A mãe do adolescente, Edvânia Santos da Silva, de 49 anos, é quem está presente durante o período de internamento. Ela recorda que ficou muito apreensiva com a notícia de que o seu filho, de repente, poderia morrer; mas, ela foi ficando cada dia mais tranquila, conforme observava a qualidade do atendimento prestado, que resultou em uma evolução positiva e na perspectiva de breve alta hospitalar. 


 

“Eu já tinha vindo aqui para o HGE e não era como está hoje. Fiquei muito impressionada com a organização, com a atenção dos profissionais, com a tecnologia que está disponível para a gente. Contudo, nós temos certeza que essa fase ruim vai passar e voltaremos para casa com a saúde do meu filho dignamente recuperada”, comentou a mãe, que é cozinheira, casada, e mora com seus dois filhos na Chã da Jaqueira. 

 

A criação de um setor de UTI com foco em adolescentes traz como vantagens a organização do fluxo de cuidados, a melhoria na segurança e nos resultados clínicos e a eficiência na gestão de recursos, pois permite classificar e priorizar melhor casos que precisam de cuidados intensivos diferenciados, evitando uso indiscriminado de UTIs adultas ou pediátricas sem foco clínico. 

 

“A nossa missão é prestar assistência integral e de alta complexidade à saúde da população alagoana, como hospital do SUS [Sistema Único de Saúde], sendo referência em urgência e emergência, e excelência na formação de profissionais, ensino e pesquisa. Desse modo, a UTI Adolescente comprova, mais uma vez, o nosso papel estratégico na rede de saúde ao oferecer um cuidado intensivo que vai além da alta complexidade clínica”, finalizou o diretor médico.