Alagoas
MPT suspende atividades em secretaria que funcionava em prédio abandonado do antigo Hotel São Bernardo, no Centro de Palmeira dos Índios
A Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) de Palmeira dos Índios operava no 1º andar de um imóvel abandonado — onde antes funcionava o Hotel São Bernardo — e terá de deixar o local em até cinco dias, por decisão liminar da Justiça do Trabalho
O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas obteve uma decisão liminar determinando a suspensão imediata das atividades no atual endereço da Seinfra, em Palmeira dos Índios. A medida foi concedida pela Vara do Trabalho de Penedo após ação civil pública, diante de irregularidades classificadas como graves no ambiente de trabalho.
Onde a secretaria funcionava
Segundo os autos e a narrativa do MPT, a Seinfra funcionava no primeiro andar de um prédio abandonado, que anteriormente abrigava o Hotel São Bernardo, no Centro da cidade. O endereço citado é a Praça da Independência, nº 34.
O que a liminar determina
Pela decisão, o município deve paralisar as atividades no local em até cinco dias, ficando vedada a permanência de trabalhadores no imóvel. A liminar também impõe que os servidores sejam realocados para outro prédio que atenda às normas de segurança, saúde e higiene do trabalho — ou, alternativamente, que o município adote trabalho remoto até que se comprove a eliminação integral dos riscos por laudo técnico idôneo.
Além disso, a gestão municipal deverá apresentar, em 45 dias, um Plano Técnico de adequação do ambiente de trabalho (incluindo áreas comuns, corredores e acessibilidade).
Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil até a efetiva paralisação das atividades ou a comprovação de regularização, sem prejuízo de eventual responsabilização por acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.
A procuradora do Trabalho Marcela Dória, autora da ação, sustentou que a prestação do serviço público não pode se sobrepor ao direito fundamental à vida e à saúde dos trabalhadores.
Irregularidades apontadas pelo MPT
Durante diligência realizada em 21 de janeiro, foram registradas, entre outras, as seguintes situações:
Ausência de proteção contra incêndio, com extintores inativos, fiação exposta e inexistência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB);
Estrutura antiga e instalações em condições inadequadas;
Falta de acessibilidade, com acesso apenas por escadas;
Sanitários e copa/refeitório em condições irregulares;
Risco de exposição a agentes biológicos, como ratos e morcegos;
Risco à segurança, com relatos de presença de usuários de drogas em áreas comuns do prédio.
Promessa de mudança e reforma “superficial”
Conforme descrito na ação, o município teria reconhecido, em agosto de 2025, que o local era inadequado e anunciado mudança para outro imóvel.
Porém, em novembro, a gestão optou por reformar o prédio atual. Já em 2026, uma nova denúncia apontou que as melhorias foram superficiais e que os riscos persistiam — cenário que motivou a judicialização.
Ao reafirmar a necessidade de condições dignas de trabalho, a decisão reforça o entendimento de que segurança e salubridade são dever do poder público também na administração municipal, especialmente quando o ambiente apresenta risco concreto de acidentes e adoecimento ocupacional.
Mais lidas
-
1TRABALHO
Calendário de 2026 concentra feriados em dias úteis e amplia impacto sobre a gestão do trabalho
-
2ABONO SALARIAL
PIS/Pasep 2026: confira o calendário de pagamentos e saiba quem tem direito ao benefício
-
3SERVIÇO
IPVA 2026 RJ: confira o calendário de vencimentos por final de placa
-
4TRIBUTOS MUNICIPAIS
Prefeitura do Rio começa a enviar guias do IPTU 2026; primeira cota vence em fevereiro
-
5ECONOMIA
Vencimento do IPVA 2026 começa para veículos com placas de final 0 no Rio