sexta-feira, 19 de agosto de 2022

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Mais de 47 milhões de brasileiros vivem na pobreza

Por Redação com agências

Um contingente de aproximadamente 11 milhões de pessoas, equivalente a quase a totalidade da população da capital São Paulo despencou na pirâmide social em 2021 e fez com que o número de brasileiros que vivem na pobreza chegasse a 47, 3 milhões, equivalente a 22,3% da população brasileira.

Levantamento do Imds (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social), feito a partir da renda das famílias, mostra que o percentual é o maior em dez anos e que houve uma piora generalizada em todo o país. Os dados, apresentados neste sábado em reportagem do portal da Folha de São Paulo, revelam também que 6,3 milhões de pessoas – mais da metade dos que perderam renda em 2021, chegaram à extrema pobreza, fazendo com que o ano fechasse com 20 milhões de pessoas nessa condição social.

Segundo a pesquisa, houve avanço generalizado da pobreza em todo o país e nos mais diversos segmentos, mas a faixa etária de zero a 17 anos é a mais sacrificada, com 19 milhões de crianças e adolescentes – ou 35,6% dessa faixa etária – na chamada pobreza infantil.

“Ainda que a pobreza tenha avançado em todo o país e nos mais diversos segmentos, a parcela da população que mais sofreu é negra —73% do total— e se concentrava em regiões e estados mais pobres, o que ajudou a ampliar as desigualdades nacionais”, diz a reportagem, acrescentando que no Nordeste, 5,5 milhões caíram na pobreza em 2021, elevando o número de pobres na região para 22,8 milhões, quase 40% da população nesta região.

Faltam políticas de proteção

Diferentes levantamentos registram o avanço da pobreza e as dificuldades cada vez maiores dos brasileiros sobreviverem num contexto em que o governo federal não adota políticas para proteger as populações mais vulneráveis.

No início de junho, a Rede Penssan mostrou que o país andou 30 anos para trás e voltou a ter mais de 33 milhões de brasileiros com fome e associou o retrocesso ao empobrecimento da população e ao desmonte de políticas sociais e de abastecimento.

A informação é revoltante especialmente se considerarmos que o Brasil havia deixado o Mapa da Fome em 2014, graças às políticas de inclusão social dos governos petistas de Lula e Dilma.

A fome está em todos os lugares, inclusive em grandes cidades como o Rio de Janeiro. Na edição de sexta-feira, 24, a partir de recorte regionalizado da pesquisa da Rede Penssan, O Globo mostrou que a fome avançou 400% no Estado e atinge um contingente de 2,8 milhões de pessoas. Na capital, a reportagem encontrou pessoas revirando lixos em busca de ovos, frutas e legumes.

Neste sábado, o jornal do Rio dá continuidade ao assunto, mostrando novos dramas humanos de crianças e idosos – parcelas mais afetadas pela fome – com dificuldade de se alimentar. Casos de um adulto que divide uma quentinha com três crianças, uma senhora que guarda parte do almoço para ter o que comer no jantar.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido que o combate à fome e à desigualdade social, com a inclusão do pobre no orçamento e do rico no imposto de renda, é uma das prioridades de um eventual novo governo. Ele diz ser fundamental garantir que todos tenham ao menos três refeições por dia.

Nas diretrizes do Programa de Governo, que está em construção pelos partidos do movimento Vamos Juntos pelo Brasil, com participação da sociedade, essas questões são prioridades. Dentre outras necessidades imediatas, as diretrizes determinam urgência no combate à fome e à pobreza, combate à inflação e redução do custo de vida e retomada do investimento para gerar emprego.

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